Campanha de Bolsonaro denuncia crime de propaganda eleitoral, Tribunal pede provas
Brasil/Eleições
25 de out. de 2022, 16:14
— Lusa/AO Online
“Em
auditoria realizada após uma denúncia, foi levantado que várias rádios
publicaram mais inserções do PT [Partido dos Trabalhadores] do que do
Presidente, [Jair] Bolsonaro. De 07 a 21 de outubro, após dupla secagem,
foi levantado o número de 154 mil inserções a menos para a campanha do
Bolsonaro”, afirmou o ministro das Comunicações do Governo, numa
conferência de imprensa agendada à ultima da hora no palácio da
Alvorada, em Brasília.“Isso é uma grave
violação do sistema eleitoral. Estamos indignados e estamos tomando as
medidas cabíveis junto ao TSE [Tribunal Superior Eleitoral]. Nós, que
preservamos a democracia e direito de igualdade, queremos uma campanha
limpa e justa”.Segundo a campanha de
Bolsonaro, a maioria desta alegada fraude eleitoral foi registada no
Nordeste do país, conjunto de nove estados cuja população apoia na sua
esmagadora maioria Lula da Silva na eleição presidencial que ocorre
dentro de cinco dias.Em resposta a esta
denúncia, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, declarou que a
campanha de Bolsonaro não apresentou quaisquer provas e pediu que as
apresente no prazo de 24 horas."Tal facto é
extremamente grave, pois a coligação requerente aponta uma suposta
fraude eleitoral sem base documental alguma, o que, em tese, poderá
caracterizar crime eleitoral dos autores, se constatada a motivação de
tumultuar o pleito eleitoral na sua última semana", frisou Alexandre de
Moraes, citado na imprensa local.Já na
semanada passada, o tribunal tinha decretado que Lula da Silva teria
direito a pelo menos 226 direitos de resposta no horário eleitoral do
Presidente brasileiro, Bolsonaro, na televisão e rádio.Esta
decisão terá impacto em 50% do tempo dos programas de campanha de
Bolsonaro. Estas decisões por parte de juízes do TSE dizem respeito a
propagandas políticas feitas pela campanha do atual Presidente
brasileiro consideradas falsas e que injuriavam Lula da Silva."A
maior mentira dessa eleição é dizer que Lula não é ladrão. Votar no
Lula é votar em corrupto", este é um dos exemplos, segundo a imprensa
local, que o TSE considerou ilícito."A
propaganda eleitoral impugnada é ilícita, pois atribui ao candidato à
conduta de 'corrupto' e 'ladrão', não observando a legislação eleitoral
regente e a regra de tratamento fundamentada na garantia constitucional
da presunção de inocência ou não culpabilidade", considerou o juiz Paulo
de Tarso Sanseverino.Por outro lado,
Bolsonaro conseguiu pelo menos 15 direitos de resposta do tempo de
propaganda de Lula por peças que associam o Presidente brasileiro ao
canibalismo.Nessa semana o tribunal aprovou uma resolução com o objetivo de acelerar a retirada de notícias falsas da internet.Luiz
Inácio Lula da Silva venceu a primeira volta das eleições com 48,4% dos
votos e Jair Bolsonaro recebeu 43,2%, pelo que os dois candidatos terão
de se enfrentar numa segunda volta marcada para 30 de outubro.