Campanha ATERRA defende reposição de comboios noturnos e aposta internacional
27 de fev. de 2023, 09:13
— Lusa/AO Online
Num
comunicado divulgado na véspera do encerramento da consulta pública do
Plano Ferroviário Nacional (PFN), as mais de 20 organizações que já se
juntaram a esta campanha apelam igualmente à assinatura da petição
internacional para voltar a ligar Portugal à Europa Central por comboios
noturnos.“Desafiamos o Governo a dar
resposta às mais de 8.500 pessoas que já apelaram publicamente à
reposição deste serviço”, escrevem as organizações, apelando à
participação, na próxima sexta-feira, dia de Greve Climática Estudantil,
numa (Mani)Festa do Pijama / Silent Disco, que decorrerá no Cais 3 da
Estação de Santa Apolónia, de onde partiam o Sud Expresso e o Lusitânia.Lembram
que há três anos os históricos Sud Expresso (Lisboa-Hendaye-Lisboa) e
Lusitânia (Lisboa-Madrid-Lisboa) foram suspensos, “a pretexto da
pandemia da covid-19” e que Lisboa é atualmente “uma das únicas duas
capitais europeias sem qualquer ligação ferroviária internacional”.A
campanha ATERRA sublinha que os comboios noturnos “estão a conhecer um
ressurgimento Europa fora”, insistindo: “São a opção mais cómoda e
ecológica para viagens de média e longa distância, são a melhor
alternativa ao avião e aos aeroportos e são o futuro das viagens
internacionais”.Num momento em que se está
a construir uma rede europeia de serviços noturnos, com a cooperação
entre vários operadores ferroviários e novas ligações, como
Paris-Hendaye, Berlim-Paris ou Zurique-Barcelona, defendem que o Plano
Ferroviário Nacional deve “procurar fazer parte ativa dessa rede”.Por
outro lado – frisam - o avião “é um meio de transporte usado, a nível
mundial, por uma pequena elite, é aquele que mais polui e cujo impacto
climático mais está a crescer”.Como
exemplo, referem que a viagem Madrid - Barcelona (distância semelhante a
Lisboa - Madrid) de comboio emite 15 vezes menos dióxido de carbono
(CO2) do que em avião.“Se considerarmos as
restantes emissões nocivas da aviação, o impacto climático do comboio é
cerca de 30 vezes inferior”, afirmam as organizações, considerando que
Portugal precisa de uma redução da aviação, e não de expansões
aeroportuárias.Defendem igualmente que o
PFN deve prever a retoma imediata dos serviços Sud Expresso e Lusitânia e
que o regresso das ligações a partir de Lisboa deve incluir a retoma
das ligações noturnas Porto-Madrid e Porto-Hendaye. A
médio-curto prazo, insistem, “dever-se-á estender os serviços noturnos a
partir do Porto e de Lisboa até Barcelona, à medida que se coloca um
fim às ligações aéreas dentro da Península Ibérica”.Dizem
ainda que a criação de uma ligação noturna entre Braga e Faro
representará um contributo para o fim imediato dos voos domésticos em
Portugal Continental, que consideram “um atentado ambiental
inaceitável”.Já quanto à concretização da
linha prevista desde o Algarve até Sevilha e Valência, defendem que deve
dar origem a uma ligação noturna internacional de Faro a Barcelona. “Quaisquer
investimentos previstos em linhas de Alta Velocidade devem incluir
serviços noturnos que liguem Portugal diretamente a países como
Inglaterra, Países Baixos, Itália, Bélgica, Suíça, Luxemburgo e
Alemanha”, sublinham.A campanha ATERRA
considera ainda que deve ser definido o investimento público nestes
projetos, “desviando os atuais apoios abundantes ao setor da aviação”,
que consideram “incompatíveis com qualquer política climática”, dando
como exemplo as isenções de IVA e de ISP no combustível de aeronaves.