Câmaras hiperbáricas dos hospitais dos Açores estão sem certificação
8 de mai. de 2023, 15:55
— Lusa
“As
câmaras hiperbáricas estão disponíveis e acessíveis ao público e aos
utentes sem qualquer impedimento, pese embora a necessidade de
certificação das mesmas”, admitiu a Secretaria Regional da Saúde e
Desporto, em comunicado enviado à Lusa, adiantando que a tutela “iniciou
já um processo de apoio aos hospitais”, com vista a resolver o
problema.Em causa estão as câmaras
hiperbáricas dos hospitais do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, e
do Hospital da Horta, no Faial, que perderam a certificação que
ostentavam, embora continuem a ser utilizadas, e também um equipamento
semelhante instalado no Centro de Saúde de Santa Cruz das Flores, que só
era utilizado pontualmente.Segundo apurou
a Agência Lusa, a empresa alemã que montou as câmaras hiperbáricas nos
Açores exige 340 mil euros por cada certificação, valor que as
administrações hospitalares consideram ser “incomportável”, embora os
tratamentos com este tipo de equipamento não tenham sido, entretanto,
suspensos.“Importa, no entanto, ressalvar
que o apoio efetivo e integral aos utentes em contexto hiperbárico está
garantido, assim como a qualidade e a segurança da prática profissional
que tais situações exigem”, assegura a mesma nota do executivo açoriano.O
gabinete da secretária regional da Saúde, Mónica Seidi, lembra ainda
que as câmaras hiperbáricas de Ponta Delgada e da Horta “estão em pleno
funcionamento” e que os profissionais de saúde que operam com estes
equipamentos, estão “devidamente credenciados” para trabalharem com
estes sistemas, e fazem-no “sem quaisquer problemas de natureza
técnica”.“Os médicos, técnicos e
enfermeiros têm um conhecimento claro e nítido de todas as normas de
segurança para os destinatários dos cuidados, para os profissionais e
respetivos equipamentos, assim como dos protocolos de atuação, dos
efeitos terapêuticos e adversos da oxigeno-terapia hiperbárica, do
manuseamento e funcionamento da câmara hiperbárica como dispositivo
clínico no tratamento, nomeadamente de feridas”, refere ainda o
esclarecimento do Governo.Quanto à câmara
hiperbárica das Flores, oferecida pelo Clube Naval da Horta para dar
apoio aos praticantes de mergulho no Grupo Ocidental dos Açores, está
inoperacional há vários anos, e apenas era utilizada, pontualmente, por
um médico do Hospital da Horta, quando se deslocava àquela ilha.A sala onde o equipamento estava montado, junto à morgue do Centro de Saúde, foi, entretanto, transformada em armazém e arquivo.As
câmaras hiperbáricas permitem estimular o crescimento de células e
aumentar a circulação sanguínea, através da introdução de grandes
quantidades de oxigénio, em ambiente de pressão atmosférica mais elevado
do que o normal.Estes equipamentos são
utilizados, por exemplo, no tratamento de feridas que não cicatrizam e
também em situações de anemia grave, embolia pulmonar, queimaduras,
envenenamento, descompressão e gangrena, entre outros.