Câmaras do Funchal e de Ponta Delgada querem Polícia Municipal constituída por agentes da PSP
11 de jun. de 2024, 17:37
— Lusa/AO Online
“Em termos conjuntos,
entendemos em fazer um protocolo e pedir uma audiência conjunta à
ministra da Administração Interna para avançarmos para um processo
legislativo na Assembleia da República que dê ao Funchal e que dê a
Ponta Delgada o estatuto igual ao de Lisboa e do Porto”, indicou a
presidente da Câmara do Funchal, Cristina Pedra. A
autarca falava aos jornalistas após a reunião do Conselho Municipal de
Segurança, órgão ao qual preside, na qual foi apresentado o Relatório
Anual de Segurança Interna referente a 2023, divulgado no final de maio.Cristina
Pedra referiu que a criminalidade violenta e grave, no município do
Funchal, teve uma redução de 6,1% face a 2022, enquanto a criminalidade
geral aumentou 5,1%, destacando-se as burlas informáticas e os crimes de
violência doméstica. Defendendo a
necessidade de mais visibilidade e intervenção policial nas ruas da
cidade, a presidente da autarquia reconheceu a necessidade de criar um
corpo de Polícia Municipal, mas num modelo diferente daquele que a
oposição tem vindo a reivindicar.“Nós
somos frontalmente contra, desde a primeira hora, a Polícia Municipal
que a oposição reclamava e reclama, que é passar a colocar os
funcionários da fiscalização a exercer funções policiais. Nós queremos
uma Polícia Municipal constituída por agentes da polícia e não
funcionários de fiscalização”, realçou.Cristina
Pedra adiantou que se reuniu com o presidente da Câmara de Ponta
Delgada, Pedro Nascimento Cabral, uma autarquia que já tem esta polícia,
mas a funcionar com pessoal administrativo, e que também pretende que o
seu município tenha polícias abrangidos pelo estatuto das cidades de
Lisboa e do Porto. “Entendo que a
segurança é uma questão suprapartidária e há aqui um repto político que
lanço, que é ter uma Polícia Municipal constituída por polícias,
formados na Escola da Polícia, com os meios próprios dos polícias e que
espero que todos os partidos com assento na Assembleia da República
votem favoravelmente esta iniciativa parlamentar que vamos acautelar e
trabalhar”, apelou a presidente da Câmara do Funchal, de coligação
PSD/CDS-PP.Cristina Pedra não avançou com
datas para esta polícia estar no terreno nem precisou o número de
polícias afetos, referindo que depende da Assembleia da República.Em
reação a este anúncio, os vereadores da coligação Confiança, liderada
pelo PS, “veem com agrado a intenção de implementação do Corpo de
Polícia Municipal no Funchal como solução para os problemas que assolam a
cidade do Funchal, após um recuo e mudança de posição por parte do
atual executivo, que sempre bloqueou essa pretensão”, lê-se numa nota
enviada às redações.“Infelizmente, os
constantes entraves e manobras políticas do PSD impediram a
implementação desta medida crucial, resultando em anos de insegurança,
vandalismo e criminalidade que poderiam ter sido evitados”, é sublinhado
no comunicado.