Câmara do Porto preocupada com possível municipalização da estrada da Circunvalação
14 de set. de 2022, 15:19
— Lusa/AO Online
Aos
jornalistas, à margem da conferência “Os desafios da Mobilidade na Área
Metropolitana do Porto”, o vereador Pedro Baganha adiantou que a
discussão em torno do programa Metropolitano para a Qualificação Urbana
da Circunvalação (PMQUC) "está suspensa", mas que preocupa ao município a
eventual municipalização daquela estrada no âmbito do processo de
transferência de competências. "A discussão
está suspensa, não existe neste momento, porque dizem-nos que vai ser
imposta a sua municipalização no âmbito da descentralização, coisa que
muito nos preocupa porque a estrada da Circunvalação não devia ser uma
estrada, devia ser uma avenida circular que une municípios", salientou.O
vereador do Urbanismo da Câmara do Porto lembrou que, de acordo com o
PMQUC, a transformação daquela via, que une os municípios do Porto,
Maia, Matosinhos e Gondomar, custava "perto de 60 milhões de euros". "Só
ao Porto caberiam 33 milhões de euros. A câmara não aceitou até à data a
tutela daquela estrada sem o correspondente envelope financeiro",
observou. Pedro Baganha recordou ainda que
o envelope financeiro proposto para a transferência da tutela daquela
estrada para os quatro municípios não era, à data do programa
metropolitano, "nem de longe, nem de perto, compaginável com o
investimento necessário para a transformação da Estrada da
Circunvalação".Em março de 2013, os
autarcas do Porto, de Matosinhos, da Maia e de Gondomar enalteceram a
articulação e consenso alcançados em torno do projeto de requalificação
da estrada da Circunvalação, defendendo que o trabalho desenvolvido não
podia ser desaproveitado.A empreitada,
cujo custo está estimado em cerca de 58 milhões de euros, depende de
financiamento e da mudança de classificação da estrada de 17
quilómetros, que deverá passar de nacional para municipal.Na
conferência, o vereador aproveitou para elencar e aprofundar algumas
das medidas levadas a cabo pelo município para melhorar a mobilidade na
cidade, como as Zonas de Acesso Automóvel Condicionado [ZAAC]. Questionado
pelos jornalistas sobre o plano de pedonalização do centro histórico,
anunciado na passada quinta-feira pelo próprio de que seria apresentado
até ao final do ano, Pedro Baganha esclareceu que a intenção é retirar
os automóveis daquela zona que é Património Mundial da UNESCO desde
1996, mas que haverá "dois ou três arruamentos estruturantes que terão
de continuar a ter trânsito", como a rua Mouzinho da Silveira, a
marginal ribeirinha e o túnel da Ribeira. "Não
antevejo que se consigam tirar os automóveis. Agora, o tecido mais
capilar [do centro histórico] não foi feito para o automóvel, que é um
intruso", acrescentou. Em 08 de setembro, o
vereador anunciou, à margem do congresso Cidades que Caminham, que
a Câmara do Porto vai apresentar o seu plano de pedonalização do centro
histórico até ao final do ano.Na
apresentação que fez no congresso, o membro do executivo municipal
liderado pelo independente Rui Moreira considerou que o plano de
pedonalização do centro histórico deverá ser “mais fácil de ser
implementado”, precisamente por já existirem as ZAAC.Aos
jornalistas, posteriormente, disse que o plano “é para toda a cidade do
Porto” e “corresponde a uma estratégia que determina que tipos de
árvores, que tipos de caldeiras, onde é que elas devem ser plantadas”,
no caso de uma intervenção ou obra no espaço público, definindo “quais
são as boas práticas e as práticas que devem ser evitadas”.“Vem
a reboque de uma intenção já expressa na estrutura ecológica municipal,
do Plano Diretor Municipal [PDM], que advoga, como rede de conexão
ecológica, os espaços urbanos que são arborizáveis”, explicou.Segundo
Pedro Baganha, o plano incide “mais sobre tipologias de espaço público
do que propriamente dizer que ‘esta rua vai ser e aquela não vai ser'”
arborizada.“Isto está em linha com a nossa
própria estratégia de descarbonização da cidade que, como sabem, também
é muito ambiciosa”, referiu.No dia 31 de
janeiro, foi lançado o Pacto do Porto para o Clima, sendo a adesão
voluntária, não vinculativa e sem custos por qualquer pessoa ou
organização, independentemente da dimensão, ação prévia ou personalidade
jurídica.A intenção é “que a cidade
consiga antecipar” as metas de neutralidade carbónica apontadas pela
Comissão Europeia de 2050 para 2030 e, “com esta ambição, assumir uma
liderança nacional nesta matéria”, explicou à Lusa, em 29 de janeiro,
Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, responsável
pelo pelouro do Ambiente e Transição Climática.