Câmara do Funchal rejeita responsabilidade na falta de água no hospital da Madeira
24 de dez. de 2019, 10:20
— Lusa/AO Online
“Ao contrário do que foi dito por Rafaela Fernandes, nova presidente do
Serviço de Saúde da Madeira (SESARAM), os problemas de abastecimento
supracitados não se deveram a quaisquer intervenções em curso na rede de
água pública em São Martinho”, declara o município do Funchal em
comunicado divulgado na região. O problema
da falta de água hoje no Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal, foi
avançada pela responsável do SESARAM através do matutino JM-Madeira.
No mesmo documento, o município argumenta que “os problemas deveram-se
especificamente a uma obstrução que se verificou na entrada dos
reservatórios de água do SESARAM localizados nas Virtudes, a qual foi
sinalizada à Câmara Municipal do Funchal demasiado tarde”.A
nota complementa que nessa altura os “reservatórios em causa já estavam
nos mínimos, ao contrário do que é a prática definida neste tipo de
situações, sendo esta sinalização da responsabilidade do SESARAM”.A
Câmara do Funchal refere que este facto é “facilmente comprovável pelo
facto de o SESARAM ter sido o único cliente afetado com esta situação de
subfornecimento”.O município salienta que
o problema foi sinalizado pelas 13:00 de segunda-feira à autarquia do
Funchal e “pelas 16:00 o fornecimento de água já estava restabelecido,
graças à imediata intervenção dos serviços camarários”.“[Estes
serviços] procederam a uma reconfiguração da rede de água do Bairro
[social] do Hospital e garantiram que os autotanques dos Bombeiros
Sapadores do Funchal abasteciam os reservatórios do Hospital Dr. Nélio
Mendonça”, adianta a câmara, assinalando: “A autarquia pode confirmar
que o problema se encontra, neste momento, completamente resolvido”.Segundo
a câmara, os reservatórios afetados são “privados, do SESARAM e que a
rede de água entre os mesmos e o Hospital Dr. Nélio Mendonça é da
responsabilidade do Serviço Regional de Saúde, que só se apercebeu do
problema quando os seus reservatórios já estavam vazios”.O
município destaca igualmente que “quaisquer outras questões internas
relacionadas com a gestão interna do serviço são da estrita
responsabilidade do SESARAM” e lamenta que, “ao contrário da boa
coordenação de esforços que existiu no local no plano técnico, depois de
uma situação tardiamente sinalizada pelo próprio SESARAM, este
organismo público tenha usado os meios de comunicação social para
publicar informações erradas, e que não correspondem à realidade”.O
município censura ainda a nova presidente do SESARAM, Rafaela
Fernandes, por, depois de o abastecimento de água ter sido
restabelecido, alegadamente, ter tentado “mediatizar a situação e
retirar algum tipo de dividendos políticos, quando esta situação
deveria, pelo contrário, ser tratada com mais responsabilidade e com
discrição institucional”.De acordo com o
JM-Madeira, ao longo do dia de segunda-feira, "camiões-cisterna dos
bombeiros com milhares de litros de água" abasteceram os tanques do
hospital do Funchal para "não agravar o seu normal funcionamento".
O matutino adiantou que "o plano de contingência do SESARAM foi
ativado", o que "evitou que a situação se agravasse", adiantando que a
Câmara do Funchal "convocou mais trabalhadores para trabalhar toda a
noite e resolver um problema grave que afeta a maior unidade hospitalar
da região", indicando que o problema deverá ficar resolvido hoje.