Câmara do Comércio propõe ‘task-force’ para reforçar controlo de baixas médicas nos Açores
Hoje 16:52
— Lusa/AO Online
“Atendendo a que as
competências nesta matéria se encontram distribuídas por diferentes
entidades, a CCIPD propôs à Secretaria Regional da Saúde e Segurança
Social a criação de uma ‘task-force’ multidisciplinar, envolvendo as
entidades competentes nas áreas da segurança social, saúde e inspeção do
trabalho”, adianta a direção em comunicado.Segundo
a nota, a estrutura proposta “deverá permitir melhorar a articulação
entre serviços, reduzir os tempos de resposta e assegurar que as
situações sinalizadas sejam verificadas em tempo útil”.A
sugestão surge face à preocupação da organização empresarial “com o
número crescente de situações reportadas por empresas relativamente à
utilização de baixas médicas e ao impacto que estas ausências têm no
normal funcionamento da atividade empresarial”.A
direção adianta que ao longo deste ano tem recebido “um número
significativo de reclamações de empresas que referem uma utilização de
baixas médicas acima do habitual”.Em
diversas situações comunicadas à associação, é reportado que os
trabalhadores simultaneamente em situação de baixa “representam entre
10% e 15% dos respetivos quadros de pessoal”.As
empresas “têm igualmente sinalizado um agravamento destas situações
durante os meses de verão, designadamente em períodos coincidentes com
festividades nos diferentes concelhos”.A
CCIPD “considera essencial” que esta realidade seja avaliada com base em
dados objetivos, tendo solicitado às entidades competentes informação
sobre a evolução do número de baixas médicas, respetiva duração, número
de pedidos de verificação apresentados pelas empresas e número de
verificações ou juntas médicas efetivamente realizadas.Num
contexto regional de forte escassez de mão-de-obra, “a ausência
simultânea ou prolongada de trabalhadores tem impactos diretos na
organização das empresas, na sobrecarga das equipas, na capacidade de
resposta e na qualidade dos serviços prestados”, alega.A
CCIPD sublinha que não está em causa o legítimo direito à proteção na
doença, mas a necessidade de garantir que, sempre que existam suspeitas
fundamentadas de utilização indevida de baixas médicas, os mecanismos de
verificação e fiscalização “funcionem de forma célere e eficaz”.A
defesa de um sistema de proteção na doença credível exige,
simultaneamente, “a proteção dos trabalhadores efetivamente
incapacitados e mecanismos eficazes de prevenção e controlo de eventuais
utilizações indevidas”, refere.