Câmara do Comércio dos Açores propõe medidas de 500 ME para impulsionar economia
Covid-19
28 de mai. de 2020, 08:46
— Lusa/AO Online
"O que estamos a
propor é que haja um plano de gastos efetivos ao longo de quatro anos
para impulsionar a economia e não apenas o crédito", disse o
vice-presidente da CCIA Mário Fortuna, após uma reunião em Ponta
Delgada, na ilha de São Miguel, com o presidente do Governo Regional,
Vasco Cordeiro. As medidas propostas pela
Câmara do Comércio estão distribuídas em "seis pacotes" a serem
implementados ao longo de quatro anos.O
primeiro pacote prioriza a "manutenção do emprego" e tem como medida
estruturante a transformação dos valores das linhas de crédito em fundo
perdido, porque as "empresas simplesmente não têm condições para
absorver todo o crédito novo que foi disponibilizado" pelas linhas de
crédito, apontou Fortuna. No segundo
pacote, relativo ao desconfinamento, a organização defende a abertura a
voos do continente português em "meados de junho" e a abertura para voos
internacionais no "princípio de julho". Ainda
nesse pacote, a CCIA sugeriu investir dois milhões de euros entre 2020 e
2024 (um milhão este ano, outro para 2021 e 750 mil euros divididos
pelos dois anos seguintes) para promover o turismo interilhas dos
Açores. "Apresentámos planos a quatro
anos”, referiu Mário Fortuna, adiantando que se “fechou tudo de uma vez
só, mas para reabrir não vai dar para reabrir de uma só vez”. O
terceiro pacote incide sobre a "formação de ativos", com a criação de
um conjunto de programas para a "formação em serviço", sobretudo para
promover as "competências digitais" dos profissionais dos diferentes
setores. O quarto pacote é fiscal e propõe
a redução do IVA no escalão mais elevado para o máximo diferencial
permitido pela Lei de Finanças Regionais, como forma de "impulsionar a
capacidade de compra das pessoas" através da redução do preço dos
produtos. A CCIA também propõe a
implementação de um "pacote digital", para "trazer muitas empresas
online", uma vez que "muitas empresas não têm página ‘web’",
exemplificou Fortuna. Quanto ao último
pacote, sugere a criação de um fundo de capital de risco destinado a
"acudir" empresas em dificuldades económicas. "Da
nossa parte, o contributo é esse. São reflexões, sugestões, que nós
pensamos que podem ser instrumento importante para relançar da economia.
Sublinho: são para quatro anos e esta é tarefa que nós vamos ter. Não
vamos resolver tudo em 2020", afirmou. O
"Grande Confinamento" levou o Fundo Monetário Internacional a fazer
previsões sem precedentes nos seus quase 75 anos: a economia mundial
poderá cair 3% em 2020, arrastada por uma contração de 5,9% nos Estados
Unidos, de 7,5% na zona euro e de 5,2% no Japão.Para Portugal, o FMI prevê uma recessão de 8% e uma taxa de desemprego de 13,9% em 2020.