Câmara do Comércio discorda da aplicação de taxas turísticas nos Açores
3 de jan. de 2025, 16:34
— Lusa/AO Online
“Cobrar
impostos a grupos específicos, como os não residentes, é
discriminatório e segregador! Claramente! Estamos a dizer que há um
impacto que é causado por uns, mas não é causado por outros”, advertiu o
líder da CCIA durante uma audição na Comissão de Economia da Assembleia
Regional, reunida em Ponta Delgada.Mário
Fortuna referia-se a uma proposta do deputado único do PAN, Pedro Neves,
que pretende criar uma taxa turística regional, no valor de três euros
por dia, para cada turista que visite qualquer uma das nove ilhas do
arquipélago.“Criar novos impostos a esta
atividade, vai fazê-la perder competitividade, crescer menos, pode
mesmos regredir, perder postos de trabalho e fixar menos pessoas nos
Açores! Se é esse o grande objetivo, pois então, que apliquem mais
impostos”, lamentou o presidente da CCIA.Nos
Açores, já existe uma taxa turística municipal (que está em vigor em
apenas alguns concelhos da ilha de São Miguel), no valor de dois euros
por turista, durante as primeiras três dormidas em qualquer unidade de
alojamento turístico.A iniciativa teve
como fundamento a maior pressão que se tem verificado no setor turístico
e o aumento dos encargos que a presença de mais turistas representa
para os municípios, em matéria de limpeza e manutenção de trilhos.Mário
Fortuna, no entanto, entende que a aplicação de taxas turísticas nos
Açores “retira competitividade” ao destino: “para nós, seria uma
oportunidade se não tivéssemos taxa turística. Seríamos mais
competitivos e a atrairíamos mais clientes”.O
presidente da CCIA considera também que não faz sentido que os turistas
que visitam a maior ilha dos Açores (São Miguel) tenham de pagar duas
taxas turísticas, uma municipal e outra regional, cobrada pelos mesmos
empresários hoteleiros.“Um hoteleiro tem
de controlar duas vezes o mesmo turista, para saber o que é que ele tem
de pagar da taxa municipal, aos municípios, e da taxa regional, à
Região”, lembrou o empresário, recordando que os valores das taxas são
diferentes e não têm a mesma duração.Na
sua opinião, ao invés de criar taxas turísticas nos Açores, a Região
devia antes cobrar determinados serviços, como acontece, por exemplo, a
quem queira subir à montanha do Pico (o ponto mais alto de Portugal, com
2.351 metros de altitude), que tem de se inscrever na Casa da Montanha,
pagar taxa e levar um GPS, para facilitar a sua localização: “isto sim,
é excelente!”.O deputado do PAN entende,
porém, que a criação de uma taxa turística regional, a aplicar em todas
as ilhas da região, no valor de três euros por dia, para quem chegue á
região por via aérea ou marítima, permitiria garantir a “preservação dos
ecossistemas” e “reduzir os impactos da pressão turística”.Em
abril de 2022, foi aprovada na Assembleia Legislativa Regional uma taxa
turística, proposta pelo PAN, mas a medida acabou por ser revogada oito
meses depois pela maioria parlamentar, alegando a existência de uma
possível “inconstitucionalidade” da medida, a “burocracia” necessária
para a sua implementação e, também, a provável “dissuasão” junto dos
turistas.