Câmara do Comércio de Angra quer monitorização turística alargada a todas as ilhas

Hoje 16:15 — Lusa/AO Online

Segundo a associação empresarial das ilhas Terceira, Graciosa e São Jorge, o Plano de Monitorização dos Fluxos de Visitação à Ilha do Corvo, anunciado pela secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, no âmbito da iniciativa Verão 2026, "vai ao encontro de uma preocupação há muito manifestada pela CCIAH e pela sua Comissão Especializada do Turismo".No entanto, considera que o estudo desenvolvido no Corvo deverá constituir "o ponto de partida para um sistema permanente de monitorização, progressivamente alargado a todas as ilhas". "Só uma visão regional permitirá identificar desequilíbrios, antecipar situações de sobrecarga, distribuir melhor os visitantes e valorizar de forma equilibrada a oferta turística de todo o arquipélago", defende a associação empresarial.A CCIAH refere que, na proposta apresentada sobre turismo e sustentabilidade, defendeu a necessidade de determinar a capacidade de carga turística de cada ilha e dos locais sujeitos a maior pressão, criando "uma base técnica que permita tomar decisões fundamentadas sobre promoção, distribuição dos fluxos, infraestruturas e preservação ambiental"."A recolha de informação objetiva sobre o número de visitantes, os seus padrões de deslocação e os impactos da atividade turística na mobilidade, nas infraestruturas, nos recursos naturais, nos serviços e na qualidade de vida das populações constitui um passo indispensável para uma gestão sustentável do destino Açores", sustenta.A associação empresarial considera que só "uma visão regional permitirá identificar desequilíbrios, antecipar situações de sobrecarga, distribuir melhor os visitantes e valorizar de forma equilibrada a oferta turística de todo o arquipélago".A CCIAH defende ainda que os resultados da monitorização devem ser públicos e utilizados "na definição de medidas ajustadas à realidade de cada ilha", incluindo "uma melhor organização dos horários e transportes", o reforço de serviços e infraestruturas, a gestão dos locais mais procurados e, quando necessário, mecanismos de regulação dos fluxos turísticos.A associação reitera a necessidade de estudar a criação de uma Taxa de Sustentabilidade dos Açores, de âmbito regional, "assente em critérios transparentes e numa aplicação rigorosamente consignada das receitas". Para a associação, as receitas arrecadas deverão ser aplicadas em projetos concretos de preservação ambiental, qualificação dos espaços e infraestruturas turísticas, gestão dos locais de maior procura, descarbonização, sensibilização e promoção do destino, propondo ainda a criação de um portal público que permita "aos residentes, às empresas e aos visitantes acompanhar a cobrança e conhecer os projetos financiados".A monitorização constitui, contudo, apenas uma primeira etapa. A sustentabilidade do destino exige também recursos financeiros que permitam proteger o património natural e paisagístico, qualificar infraestruturas, sensibilizar residentes e visitantes e reforçar a promoção turística dos Açores.No entender da Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, as medidas de sustentabilidade devem avançar a par de "uma estratégia ativa de promoção do destino e de reforço das acessibilidades aéreas, sobretudo nas ilhas que, como a Terceira, ainda estão longe de enfrentar uma situação de pressão turística e necessitam de captar novas rotas, companhias aéreas e fluxos de visitantes".A 21 de julho, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, adiantou que o Governo Regional dos Açores está a aplicar no Corvo, a mais pequena ilha dos Açores, um plano de monitorização dos fluxos de visitação nos meses de julho e agosto para recolha de dados que permitam apoiar tecnicamente decisões futuras.O plano envolve a colocação de sensores em pontos de visitação e a recolha de informação junto de visitantes, residentes, operadores turísticos e entidades diversas, para que seja produzida evidência técnica que permita apoiar futuras decisões de gestão turística na ilha.