Câmara do Comércio de Angra pede urgência sobre modelo de transporte marítimo de mercadorias
19 de dez. de 2024, 16:01
— Lusa/AO Online
"Não
é aceitável, a nosso ver, a persistência do Governo Regional em não
decidir sobre esta matéria, o que alimenta a inércia e a incerteza,
prejudicando diretamente a resiliência do tecido empresarial", aponta a
CCIAH em comunicado.A Câmara do Comércio
adianta que enviou um ofício à secretária regional do Turismo,
Mobilidade e Infraestruturas, no qual manifesta a sua preocupação
pública com este tema do transporte marítimo de mercadorias.Para
a associação empresarial, "é urgente" proceder à implementação das
conclusões do Estudo sobre o Transporte Marítimo de Mercadorias para
assegurar um sistema, entre o continente e os Açores, "mais previsível e
equitativo entre todas as ilhas"."O
adiamento de mudanças ao modelo vigente representa um obstáculo
permanente, com consequências diárias, para o desenvolvimento regional,
que não podemos admitir. Portanto, mais do que apresentações e palavras,
pedimos ações concretas que conduzam a resultados visíveis a curto e
médio prazo", defende.A direção da CCIAH
insiste que a Secretaria Regional dos Transportes, Turismo e Mobilidade
atue de "forma proativa", colocando estas questões no topo das
prioridades da agenda política regional no que diz respeito aos
transportes.A CCIAH convida o Governo
Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) a rever as suas políticas
económicas, esperando que existam "sinais de que estão dispostos a abrir
a economia ao exterior", mesmo que para tal "tenham de retirar da
equação as vacas sagradas de sempre, seja no setor dos transportes
marítimos, seja noutras áreas relevantes para a região".A
associação empresarial reitera a necessidade de implementação de um
plano regional de privatizações "bem estruturado e focado nas áreas onde
a gestão privada pode trazer melhores resultados".Segundo
um comunicado divulgado a 10 de outubro pelo Governo Regional, a
comissão técnica independente criada para avaliar o estudo sobre o
transporte marítimo de mercadorias nos Açores defende a realização de
uma escala semanal em todas as ilhas, a par de um reforço das ligações
com o continente.O Governo Regional adiantou ainda que apresentou às câmaras de comércio
dos Açores e aos operadores portuários as conclusões da comissão acerca
do estudo sobre o modelo de transporte marítimo de mercadorias no
arquipélago.De acordo com o executivo, a
comissão concorda globalmente com as conclusões do estudo e salientou a
“importância de superar algumas restrições existentes à operação do
tráfego local, de aumentar a eficiência de todo o sistema, em particular
na operação e nos custos portuários e de reforçar os meios e
equipamentos disponíveis nas infraestruturas portuárias da região”.Ainda
segundo o Governo Regional, os membros da comissão defendem,
igualmente, a necessidade de “promover uma evolução progressiva do
modelo, transitando entre os diversos cenários identificados no estudo,
de modo a consolidar um modelo robusto que garanta frequências de
abastecimento semanal a todas as ilhas, a operação de navios de
cabotagem entre os portos continentais e os portos de Ponta Delgada e da
Praia da Vitória, bem como uma articulação adequada entre a cabotagem
insular e o tráfego local”.Para aquela
comissão técnica, o que se afigura “mais vantajoso e concretizável a
curto/médio prazo” é a realização de uma escala semanal em todas as
ilhas, “contribuindo para a coesão territorial e social entre as várias
ilhas dos Açores”.Além disso, a comissão
defende um “reforço das ligações entre os Açores e o continente", de
forma a aumentar a oferta à disposição dos agentes económicos e, “em
particular, a colocação de produtos frescos ou refrigerados no
continente ao final da semana, contribuindo para a maior competitividade
de algumas indústrias exportadoras” da região.Citada
na nota, a secretária regional do Turismo, Mobilidade e
Infraestruturas, Berta Cabral, defendeu a necessidade de garantir que a
evolução do processo se baseia “numa melhoria contínua, sem disrupções,
com uma mudança gradual, racional e segura”, que “não coloque em causa o
abastecimento a nenhuma ilha dos Açores em nenhum momento”.