Câmara de Lisboa quer que aumento da taxa turística entre em vigor em setembro
18 de jul. de 2024, 17:35
— Lusa/AO Online
Depois de terminado o período
de consulta pública sobre esta proposta da liderança PSD/CDS, o
executivo camarário vai apreciar o documento final, em reunião privada,
para depois, se aprovado, ser submetido à assembleia municipal.A
proposta apresentada a consulta pública, por um período de 30 dias,
mantém-se inalterada quanto à ideia de aumentar o valor da taxa
turística de dormida, passando de dois para quatro euros, por hóspede e
por noite.O documento inclui também a
atualização da taxa turística de chegada por via marítima, de um para
dois euros, por passageiro, ainda que o valor que agora se propõe
atualizar é o que começou a ser aplicado este ano, com o início da
cobrança desta taxa aos passageiros de cruzeiro.Segundo
a proposta a que Lusa teve acesso, a câmara pretende “a entrada em
vigor da Taxa Municipal Turística de Dormida a partir de 01 de setembro e
da Taxa Municipal Turística de Chegada por Via Marítima no dia seguinte
ao da publicação da alteração ao Regulamento em Diário da República”.Em
17 de abril, o executivo municipal aprovou a proposta de PSD/CDS-PP
para submeter estas alterações a consulta pública, com a abstenção do
PCP e os votos a favor dos restantes vereadores, designadamente os
proponentes, PS, Livre, Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação
PS/Livre) e BE, segundo fonte do município.A
propósito da discussão do documento final na sexta-feira, o PS avisou
que a taxa turística “não pode servir para remendar as contas da
autarquia”, exigindo à liderança PSD/CDS que clarifique o “destino do
adicional de 40 milhões de euros”, resultante do aumento proposto.“Tal
como no passado, impõe-se um plano que minimize os impactos do turismo
na cidade, reforçando as verbas destinadas à higiene urbana, à
fiscalização do alojamento local e da lei do ruído, mais investimento na
Carris, e alívio da pressão nas zonas sobrecarregadas de Lisboa”,
defendem os vereadores do PS.Os
socialistas referem ainda que o aumento da taxa turística representa uma
evolução na posição do presidente da câmara, Carlos Moedas (PSD),
porque “fez campanha defendendo a sua redução para metade e acaba a
duplicar o valor”.Confrontado com essa
mudança de posição, uma vez que, em maio de 2021, enquanto candidato à
presidência da Câmara de Lisboa, num momento de recuperação da economia
na sequência da pandemia de covid-19, admitiu reduzir a taxa turística,
Carlos Moedas defendeu-se: “Fui fiel ao que disse. Analisei muito bem o
tema. Na altura vivamos um período de saída da crise covid com grandes
impactos económicos. Hoje, a realidade é outra, com outras cidades a
praticarem uma taxa turística muito elevada à nossa”.No
âmbito da proposta de aumento do valor, a vereação do PS acusa PSD/CDS
de se ter recusado, nos últimos três meses, a clarificar o destino da
receita proveniente da taxa turística.“O
PS acompanha favoravelmente o novo valor da taxa turística, mas exige
que esse ponto seja clarificado, mais ainda quando se corre o risco
deste aumento ter como objetivo compensar os cada vez mais notórios
problemas de tesouraria e liquidez da autarquia”, apontam os
socialistas, lembrando que “só nos primeiros seis meses deste ano” a
Câmara de Lisboa contraiu dois empréstimos no valor de 133 milhões e
pelos quais aceitou pagar 43 milhões adicionais em juros.