Câmara de Lisboa lamenta atraso na instalação de câmaras de vigilância para controlo do trânsito
13 de mar. de 2024, 13:12
— Lusa/AO Online
“Não posso de
deixar aqui a minha estranheza de termos perdido em Lisboa tantos anos a
discutir ZER 1 e ZER 2 e, depois, a ZER [Zona de Emissões Reduzidas], e
não se ter tratado do passo mais indispensável que era a aquisição de
câmaras que assegurem uma vigilância automática, como acontece em
qualquer cidade que implementou este tipo de medidas [de controlo do
trânsito]. Em Lisboa tivemos 10 anos a dormir nesta área, pelo menos 10
anos a dormir”, declarou Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP), que tem o
pelouro da Mobilidade.O vice-presidente da
câmara falava na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa, em resposta
ao deputado do PS José Leitão, no âmbito da apreciação do trabalho do
executivo nos últimos quatro meses, entre novembro e fevereiro.O
socialista José Leitão disse que o “caos” do trânsito em Lisboa já
ultrapassa os circuitos de entrada e saída da cidade, afirmando que “no
centro, na zona histórica, a concentração de automóveis é acompanhada de
uma constrangedora ausência de estratégia de mobilidade”.“A
Rua da Prata reabriu após longos meses de intervenção, mas os
residentes da restante Baixa Pombalina temem que a mesma situação [de
rutura de um coletor de saneamento pombalino] se replique na Rua da
Madalena, onde milhares de automóveis estão a desgastar esta artéria.
Quando é que pensa agir sobre isto, senhor presidente?”, questionou o
deputado do PS.No balanço do trabalho dos
últimos quatro meses, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas
(PSD), realçou a requalificação da Rua da Prata, que esteve em obras
desde dezembro de 2022 e reabriu quase um ano depois, em 24 de novembro,
com a reposição do percurso do elétrico 15 e a implementação de um
canal ciclopedonal, ficando interditada à circulação automóvel.“Estamos a fazer muito para reduzir as emissões [de poluentes]”, afirmou o social-democrata.O
deputado do PS criticou Carlos Moedas por “quer prometer tudo a todos” e
alertou que “não é possível ser consequente na ação climática sem
limitar emissões do trânsito automóvel, concretizando as tão necessárias
Zonas de Emissões Reduzidas, com benefícios para o ambiente e clima,
para a saúde das populações, nomeadamente através da redução do ruído”.Citando
dados da associação ZERO, José Leitão indicou que a poluição na Avenida
da Liberdade, em Lisboa, “piorou” em 2023 e continua a estar,
recorrentemente, “muito acima da lei”.Em
resposta, o presidente da câmara disse que as emissões na Avenida da
Liberdade registam uma descida de 2019 para o presente ano, de 55
microgramas por metro cúbico para 47.“O
trabalho na mobilidade tem sido imenso e tem sido em muitas frentes […].
Estamos convictos de que no final do mandato estaremos muito tranquilos
a prestar contas disso mesmo”, afirmou o vice-presidente da câmara,
destacando a medida de transportes públicos gratuitos para os mais novos
e para os mais velhos, a renovação da frota da Carris, o investimento
na rede de bicicletas Gira.Sobre as
ciclovias na cidade, Anacoreta Correia indicou que o executivo tem
apostado numa “atitude prudente, sensata, não fanática, mas de avaliação
de pequenas realidades que têm de ser melhoradas”, com a realização
desses melhoramentos ao mesmo tempo que se alarga a rede.Relativamente
à Rua da Prata, o responsável pelo pelouro da Mobilidade disse que a
câmara aproveitou a circunstância das obras para implementar “um novo
conceito na Baixa Chiado”, em que está a trabalhar para “a seu tempo”
apresentar também esse projeto.Respondendo
a questões do deputado do PEV Sobreda Antunes, o vice-presidente
reforçou que a câmara está atenta à qualidade do ar na cidade,
lamentando que a cidade de Lisboa não tenha ainda avançado com “a medida
que era mais elementar e que em qualquer cidade do mundo é
implementada”, pois quando se implementam “medidas de condicionamento de
trânsito elas são acompanhadas de vigilância automática, de câmaras, e
sobre isso nada foi feito”.“No ano passado
implementamos uma medida de proibir o tráfego de atravessamento na
frente ribeirinha e na Baixa. Sabemos que essa medida teve algum
impacto, mas o impacto mais efetivo só realmente com controlo de câmaras
automáticas e é nisso que estamos a trabalhar e acreditamos que essa
medida terá grande impacto também sobre a Avenida da Liberdade”,
declarou.A 17 de novembro, o presidente
da Câmara de Lisboa disse que a cidade vai ter câmaras de vídeo para
controlar o trânsito na zona da Baixa, através da fiscalização das
matrículas, tendo já a autorização da Comissão Nacional de Proteção de
Dados.