Câmara de Lisboa discute atribuição do nome Papa Francisco ao Parque Tejo
23 de abr. de 2025, 12:07
— Lusa/AO Online
Também a Junta de
Freguesia do Parque das Nações, onde se localiza o Parque Tejo, na parte
de Lisboa, uma vez que o parque se estende ao concelho vizinho de
Loures, “emitiu parecer favorável” à atribuição do topónimo Parque Papa
Francisco, de acordo com a proposta subscrita pelo presidente da câmara,
Carlos Moedas (PSD), e o vereador com o pelouro da Toponímia, Diogo
Moura (CDS-PP).A posição da Comissão
Municipal de Toponímia foi tomada na terça-feira, um dia após a morte do
Papa Francisco e na sequência do anúncio da proposta por parte de
Carlos Moedas, tendo este órgão consultivo da câmara se pronunciado “a
favor” da alteração do nome do Parque Tejo, relativamente à área que
compete à cidade de Lisboa.A Câmara de
Loures, presidida por Ricardo Leão (PS), prevê formalizar o topónimo
Parque Papa Francisco na reunião ordinária de 30 de abril, indicou à
Lusa fonte do município.Na
sequência da morte do Papa Francisco, na segunda-feira, aos 88 anos, o
presidente da Câmara de Lisboa, nesse mesmo dia à noite, à margem de uma
missa de homenagem ao líder da Igreja Católica, disse que iria propor
ao executivo camarário a alteração do nome do Parque Tejo para Parque
Papa Francisco.Localizado em terrenos dos
concelhos de Lisboa e de Loures, num total de cerca de 100 hectares, o
Parque Tejo nasceu após a transformação de uma lixeira, o aterro
sanitário de Beirolas, num parque verde.O
Parque Tejo foi um dos palcos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), em
agosto de 2023, que contou com a presença do Papa Francisco e juntou
cerca de 1,5 milhões de pessoas.Reagindo à
proposta de PSD/CDS-PP, a vereação do PS em Lisboa disse que “não
poderia deixar de concordar com uma justa homenagem ao Papa que visitou
Portugal duas vezes, que em Lisboa foi o anfitrião da JMJ”, mas
ressalvou que preferia que houvesse uma intervenção significativa na
zona, “para não batizar com o seu nome um descampado”.Também
com a preocupação sobre o estado do parque verde, o PCP adiantou que
não se opõe à atribuição do nome do Papa Francisco ao Parque Tejo,
enquanto o Livre acusou Carlos Moedas de tratar “com descaso um assunto
que é sério”, e os Cidadãos Por Lisboa e o BE reservaram uma posição
para depois da divulgação da proposta.A
proposta da liderança PSD/CDS-PP destaca a presença do Papa Francisco,
em agosto de 2023, na JMJ em Lisboa, a primeira na história da capital
portuguesa, em que “deixou uma mensagem especialmente marcante,
transmitindo que na Igreja ninguém está a mais, há espaço para todos,
‘Todos, Todos, Todos!’, tendo como um dos momentos altos a vigília, no
dia 5 de agosto, para cerca de um milhão e meio de pessoas, numa área da
cidade regenerada e revitalizada, que agora se propõe que seja
oficialmente designada Parque Papa Francisco”.“Lisboa
não irá esquecer um encontro tão mobilizador, agregador de povos e
gerações provenientes do mundo inteiro, com intervenções proferidas pelo
Santo Padre no Parque Eduardo VII e no Parque das Nações, mensagens
plenas de significado em prol da alegria, da compreensão, da inclusão,
da generosidade, da entrega ao outro”, lê-se na proposta, que destaca
ainda a forma como o Papa Francisco escolheu visitar um dos bairros de
Lisboa, o Bairro da Serafina, “mostrando mais uma vez o sentido do seu
pontificado”.Reforçando que a capital
portuguesa viveu momentos excecionais durante a JMJ e “engrandeceu-se
com a energia vibrante e tocante de uma personalidade de dimensão
universal”, a proposta de PSD/CDS-PP afirma que Francisco é merecedor de
uma homenagem municipal “de caráter excecional, como forma da cidade de
Lisboa fixar na sua identidade e memória o Papa da esperança”.Nascido
em Buenos Aires, o Papa Francisco morreu na segunda-feira aos 88 anos,
de AVC, após 12 anos de pontificado, tendo a sua última aparição pública
ocorrido no domingo de Páscoa, no Vaticano, na véspera de morrer.Portugal decretou três dias de luto nacional.