“O número que eu
posso avançar relativamente ao acolhimento de refugiados ucranianos tem a
ver com aqueles que nós efetivamente recebemos no estádio e nas
instalações da Secil [bairro da cimenteira, na Maceira]. No total,
recebemos e acolhemos mais de 300 pessoas”, afirmou Ana Valentim, que
tem, entre outros, o pelouro do desenvolvimento social.A
vereadora ressalvou que o número de refugiados que chegaram ao concelho
é superior, lembrando o movimento de voluntários que se dirigiram à
fronteira da Ucrânia para recolher deslocados de guerra.A
primeira passagem dos refugiados foi o Estádio Municipal Dr. Magalhães
Pessoa (com capacidade para 54 pessoas em simultâneo), tendo depois sido
reencaminhados para outras soluções de alojamento.“Continuamos
a acompanhar todas as pessoas que estão em Leiria e que permaneceram em
Leiria e que precisem da nossa ajuda. Ainda hoje, se for preciso, vão
ao Gabinete de Atendimento Social solicitar os nossos programas de
apoio, seja ao nível da alimentação, da renda de casa, aquisição de
equipamento. Portanto, esse acompanhamento nós mantemos, ainda que as
pessoas tenham saído das estruturas de acolhimento”, garantiu.A
autarquia faz, atualmente, um trabalho de acompanhamento mais
sistemático aos 10 deslocados de guerra que estão numa casa cedida pelo
Seminário Diocesano de Leiria, em São Romão, após a desativação, em 30
de dezembro de 2022, do centro de acolhimento temporário no estádio.No bairro da cimenteira permanecem 15 pessoas.“O
objetivo é (…) que tenham o seu projeto de vida autonomamente e que
consigam uma habitação no sentido de, a curto prazo, saírem também desta
casa que nós chamamos de casa de transição”, esclareceu.A
autarca referiu que “a lotação do estádio, durante várias semanas,
esteve completamente lotada”, maioritariamente com crianças e mulheres.Mas
entre os refugiados acolhidos estavam, também, “muitos jovens,
especialmente jovens de outras nacionalidades”, como do Paquistão, do
Nepal ou da Índia, estudantes, sobretudo do ensino superior, que estavam
na Ucrânia.Quase um ano volvido sobre o início da guerra, a autarca adiantou que o que mais a sensibilizou foram as crianças.“Percebeu-se
que as crianças vinham altamente fragilizadas, fisicamente e
psicologicamente, até porque deixaram os seus pais em território de
guerra”, referiu, adiantando que, “quaisquer movimentos mais bruscos,
nomeadamente de ruído, era algo que lhes trazia muita ansiedade”.“Recordo-me
de estar no estádio e de ouvir os aviões [F-16] da Base Aérea de Monte
Real passarem aqui em Leiria e isso assustava-as grandemente”, contou,
explicando que houve crianças que tiveram necessidade de acompanhamento
psicológico.Atualmente, 50 alunos refugiados da Ucrânia estão a frequentar escolas do concelho.Ana
Valentim acrescentou que “a maior dificuldade foi na área da
habitação”, porque, ao nível, por exemplo, da colocação no mercado de
trabalho, houve “várias empresas que demonstraram logo disponibilidade
no acolhimento”.“Inclusivamente, tivemos
empresas que disponibilizaram a colocação no mercado de trabalho e com
alojamento agregado”, referiu, adiantando que a Câmara despendeu em
alojamento de refugiados ucranianos 396 mil euros.