Câmara de Comércio de Ponta Delgada exige medidas concretas para inverter resultados no turismo
Hoje 17:18
— Lusa/AO Online
“Perante a persistência dos resultados negativos, a CCIPD reitera a necessidade de uma resposta estratégica, que permita recuperar a competitividade do destino Açores, que passa necessariamente por mudanças na orgânica do próprio governo regional”, lê-se num comunicado da associação empresarial das ilhas de São Miguel e Santa Maria.Segundo dados revelados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), o número de dormidas em alojamentos turísticos no arquipélago baixou 3,5% no mês de setembro, face ao período homólogo, registando-se 516,4 mil dormidas em unidades de hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural.Há 12 meses consecutivos que o número de dormidas em alojamentos turísticos na região baixa face ao período homólogo.Para a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, estes números comprovam “uma tendência negativa persistente, que se prolongou inclusive durante toda a época alta” e que “assume particular relevância quando comparada com os resultados registados no conjunto do país e na Região Autónoma da Madeira”.Enquanto os Açores apresentaram uma quebra homóloga de 3,5% em setembro, a Madeira aumentou 1,7% e o todo nacional 2%.O mesmo aconteceu no valor acumulado de janeiro a setembro, em que os Açores apresentaram uma redução de 2,7%, mas a Madeira verificou uma subida de 2,4% e o todo nacional de 1,5%.“Os resultados demonstram uma evolução claramente divergente entre os Açores e os restantes referenciais apresentados, pelo que a responsabilidade é totalmente de quem gere o nosso destino turístico”, afirmou a associação empresarial.Para os empresários de São Miguel e Santa Maria, a trajetória do turismo no arquipélago “suscita preocupações quanto à competitividade do destino” e das empresas que direta ou indiretamente dependem do setor.A associação empresarial exigiu, por isso, “medidas concretas e resultados que permitam inverter a tendência de quebra que se prolonga há já um ano”.“A CCIPD considera prioritário reforçar a promoção turística nos mercados estratégicos, recuperar e diversificar as acessibilidades aéreas, captar novas companhias e rotas e assegurar condições de maior concorrência, capazes de melhorar a atratividade do destino”, apontou.A câmara do comércio salientou que a evolução do mercado nacional, que registou uma quebra de 9,3% nas dormidas dos primeiros nove meses do ano é “particularmente preocupante” e alertou para as condições das acessibilidades aéreas.Numa amostra de voos em novembro e dezembro, analisada pelos empresários, o valor médio das ligações Lisboa-Ponta Delgada foi de 455,19 euros, considerando as companhias aéreas Azores Airlines e TAP, enquanto nas ligações Lisboa-Funchal o montante foi de 275,59 euros, considerando TAP, easyJet e Ryanair, e baixou para 122 euros, quando foram consideradas apenas as companhias de baixo custo.“Estes resultados mostram que uma passagem do continente para os Açores custa 3,7 vezes mais do que uma passagem num voo low-cost para a Madeira, confirmando os piores receios que esta associação tem vindo a alertar”, avançou a CCIPD.“Uma família de quatro elementos tem de desembolsar em média 1.820,76 euros, só em passagens, para escolher passar um fim de semana nos Açores, comparativamente a 488 euros se a decisão for a Madeira”, acrescentou.