Câmara de Comércio de Angra Heroísmo critica Plano de Seca dos Açores
Hoje 15:52
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, o organismo reconhece a “importância de antecipar cenários
de escassez” e promover uma gestão “mais eficiente de um recurso cada
vez mais estratégico”, mas considera que o plano “peca por defeito, ao
não integrar de forma clara e prospetiva o impacto crescente do setor do
turismo no consumo de água na região”.“Ainda
que o turismo surja atualmente com um peso relativo de 6%, o que nos
parece claramente ultrapassado, importa sublinhar que este valor deve
ser analisado à luz de duas realidades essenciais: por um lado, o forte
crescimento do setor nos últimos anos; por outro, a intensidade do
consumo por utilizador”, refere a Câmara do Comércio e Indústria de
Angra do Heroísmo.A 31 de março, o
Governo Regional anunciou a elaboração um Plano de
Gestão de Secas e Escassez dos Açores (PSE-Açores), pioneiro no país.Segundo
adiantou na altura o secretário regional do Ambiente e Ação Climática,
Alonso Miguel, o plano será “um instrumento estratégico de planeamento
pioneiro a nível nacional, que tem por objetivo preparar a região para
enfrentar situações de escassez hídrica de forma organizada, preventiva e
eficaz”.Na nota divulgada, a Câmara
do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo recorda que tem vindo a
defender que a sustentabilidade do destino Açores “depende de um
equilíbrio entre crescimento económico e preservação dos recursos
naturais”.Nesse sentido, acrescenta, o
documento “Turismo: um compromisso com a sustentabilidade”, apresentada
pela Câmara do Comércio em 2023, pretendia “responder a este desafio,
criando um mecanismo de financiamento dedicado à proteção ambiental, à
melhoria de infraestruturas, promoção externa e à gestão eficiente de
recursos críticos como a água”.Essa
proposta, “além de alinhada com boas práticas internacionais, permitiria
também dar resposta a uma fragilidade evidente do atual plano: a
ausência de um modelo claro de financiamento para os investimentos
identificados”, salienta o organismo, recordando que a implementação
dessa “taxa poderia gerar receitas na ordem dos 25 milhões de euros
anuais, contribuindo diretamente para políticas de sustentabilidade e
mitigação de impactos ambientais”.“O
turismo deve ser assumido como uma variável central e estratégica na
gestão dos recursos hídricos, e não apenas residual, sendo fundamental
incorporar uma visão prospetiva, antecipando o crescimento do setor e o
seu impacto no consumo de água”, defende ainda a Câmara do Comércio e
Indústria.