Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo pede reforço de apoios para o turismo
16 de jul. de 2020, 15:00
— Lusa/AO Online
“É preciso aguentarmos estas empresas vivas,
mantendo o máximo do nível de emprego possível, mas isto só é possível
aumentando o nível de apoios às empresas neste momento. Não é razoável
pensarmos que as empresas do turismo conseguem sobreviver até maio de
2021, com os apoios que estão neste momento regulamentados”, afirmou
Rodrigo Rodrigues, em declarações à Lusa.Segundo
o presidente da associação empresarial, que representa as ilhas
Terceira, São Jorge e Graciosa, as reservas para o verão na hotelaria e
noutras empresas ligadas ao turismo são “residuais”, devido à pandemia
da covid-19.“Não temos qualquer volume
expectável mesmo no mês de agosto, que é o mais forte do ano. E a partir
daí temos uma descendente normal, que tem a ver com a sazonalidade”,
revelou, alegando que a falta de turistas se agrava nas ilhas mais
pequenas do arquipélago.As campanhas
promocionais lançadas são positivas, na opinião de Rodrigo Rodrigues,
mas ainda se nota alguma resistência das pessoas em voltar a viajar.“Há
uma quebra na procura brutal, que não depende só daquilo que nós
fazemos e das ligações aéreas que temos disponíveis. A TAP para o mês de
agosto tem um voo diário para a Terceira e tem uma taxa de ocupação de
20%”, sublinhou.Com o verão “perdido”, as
expectativas dos empresários para o inverno são preocupantes e só em
maio de 2021 é esperada uma retoma mais “relevante”, ainda que “longe do
que seria em condições normais”.“Não digo
que não se faça tudo o que seja possível para captar fluxos turísticos.
Isso tem de ser feito e acho que está a ser feito, mas temos de ser
realistas e não esperar que depois do verão venham tempos melhores. Não é
razoável, nunca aconteceu, não vai acontecer neste contexto”, salientou
Rodrigo Rodrigues.Os apoios criados pelo
Governo Regional no início da pandemia foram “bem-vindos e bem
conseguidos”, mas agora o presidente da associação empresarial pede uma
atenção especial ao setor que tem “a sua atividade reduzida a zero ou
quase a zero”.“Passada a primeira fase, em
que as medidas foram transversais a todos os setores, neste momento
urge defender e salvar mesmo aquelas empresas que estão mais ligadas ao
turismo”, reiterou.O empresário considerou
que os Açores têm uma situação “invejável” no controlo da pandemia, mas
alertou para as falhas na comunicação dos resultados dos testes de
despiste de infeção pelo novo coronavírus feitos à chegada à região.“Uma
pessoa não pode chegar aos Açores com a expectativa de esperar 12 horas
pelo resultado do teste – o que é muito razoável, eu diria que até às
24 horas seria razoável – e depois por uma falha técnica, de plataforma
ou de falta de recursos humanos, termos esperas que já chegaram a 54
horas. Temos casos de turistas estrangeiros que nunca chegaram a receber
a comunicação do teste”, salientou.As
autoridades de saúde dos Açores exigem que todos os passageiros que
aterrem na região tenham um teste realizado até 72 horas antes da viagem
ou que o realizem à chegada, esperando em isolamento profilático até
receber o resultado.Neste caso, o
executivo açoriano comprometeu-se a divulgar os resultados por mensagem
no espaço de 12 horas, nas ilhas Terceira e São Miguel, onde estão
localizados os dois laboratórios de referência da região.Questionada
no parlamento açoriano, na semana passada, a secretária regional da
Saúde admitiu que tinha existido uma problema na plataforma informática
utilizada para comunicar os resultados dos testes, mas assegurou que já
estava resolvido."Percebemos que havia um
'bug' no número de telefone e já esta noite isto foi resolvido e saíram
uma série de SMS", avançou Teresa Machado Luciano.