Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo pede mitigação do aumento do preço da energia
6 de jan. de 2023, 16:35
— Lusa/AO Online
“Não se entende que sejam as
empresas, as únicas entidades geradoras de riqueza na economia e, como
tal, na Região, a arcar com os custos das subidas dos preços da energia,
quando o consumidor final apenas vê o seu preço aumentado em 1,3%”,
avança a associação empresarial das ilhas Terceira, São Jorge e
Graciosa, em comunicado de imprensa.Segundo
a Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo, os preços da eletricidade em
baixa tensão normal, destinada a consumidores domésticos, registaram,
em janeiro, um aumento de 1,3%, enquanto os preços de baixa tensão
especial, para comércio, serviços e pequena indústria verificaram um
aumento de 50%.Já a média tensão, destinada a grandes clientes com posto de transformação próprio, teve um aumento de preços superior a 50%.Os
empresários reivindicam que o executivo açoriano (PSD/CDS-PP/PPM) adote
“medidas mitigadoras de apoio às empresas, que sejam de fácil acesso e
com efeitos imediatos, como medidas de apoio a fundo perdido que
suportem o aumento dos custos operacionais, como os custos energéticos”.Pedem
ainda “uma medida semelhante ao programa de manutenção de emprego, para
reembolsar as empresas que recorrem à recém-criada Linha de Apoio ao
Aumento de Custos de Produção”.A CCAH
defende também a “abertura urgente de candidaturas a projetos de
eficiência energética, com generosas taxas a fundo perdido, de fácil
acesso a todas as empresas dos Açores,” e a “análise célere das
candidaturas ao SOLENERGE [programa de apoio à aquisição de sistemas
solares fotovoltaicos] e respetivo pagamento do incentivo aprovado”.“As
empresas açorianas estão sufocadas em despesa, nomeadamente aumentos do
salário mínimo, que a região tem um acréscimo de 5% relativamente ao
continente. De forma a evitar falências, em larga escala, urge colocar
as medidas propostas por esta câmara ao serviço das empresas com total
urgência, ou seja, no espaço máximo de dois meses”, salienta a
associação empresarial.Os empresários
apelam ainda ao Governo Regional para que faça uma “reanálise séria e
profunda ao modelo de regulação de preços de energia”, alegando que o
sistema atual “não protege o tecido empresarial, gerador de riqueza à
economia dos Açores, apenas protege o consumidor final”.“Urge
alterar processos de cálculo das tarifas para os Açores, colocando
tetos mínimos e máximos para evitar subidas de preços como estas que
estão a acontecer”, frisam.Segundo a
associação empresarial, o “aumento colossal” dos preços da energia
elétrica para as empresas nos Açores resulta dos cálculos para a
convergência de preços médicos entre Portugal continental e a região.Enquanto
no continente, o aumento do preço da energia se iniciou em 2021, devido
à subida do custo das matérias-primas energéticas, nos Açores “tal não
aconteceu de imediato”, porque “todas as tarifas são reguladas pela
Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE)” e porque “para a
ERSE poder calcular o preço médio de energia elétrica para a Região
Autónoma dos Açores, terá de esperar que chegue o final do ano para
apurar qual foi o preço médio no continente”.Também
a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) e a Federação
Agrícola dos Açores (FAA) já tinham manifestado, em dezembro,
preocupação com o aumento do custo da eletricidade na região, apelando
ao executivo açoriano para que adotasse medidas mitigadores.