Câmara de Comércio de Angra alerta para declínio demográfico dos Açores "sem economia forte"

Hoje 12:13 — Lusa/AO Online

Numa reação às conclusões do relatório recentemente divulgado pela OCDE sobre a evolução demográfica da região, a CCIAH sublinha que os dados evidenciam “de forma clara e inequívoca” a gravidade do momento” que o arquipélago atravessa.Segundo as projeções, "os Açores deverão enfrentar uma perda significativa de população nas próximas décadas, com especial incidência na população jovem e ativa, ao mesmo tempo que se regista um acentuado envelhecimento da sociedade açoriana", aponta a associação empresarial, em comunicado.Para a CCIAH, este cenário reforça um alerta antigo: “o maior risco estrutural da região não é apenas demográfico — é económico”.O relatório identifica ainda o risco de os Açores entrarem numa “armadilha de desenvolvimento de talento”, marcada pela saída contínua de jovens qualificados, dificuldades na atração de novos residentes e incapacidade de gerar oportunidades que permitam fixar população, um diagnóstico que, segundo a associação empresarial, não constitui novidade, mas é “a confirmação de uma realidade que tem sido sucessivamente ignorada ou tratada de forma superficial”.A CCIAH defende que “importa ir mais longe do que o diagnóstico” e lembra que tem apresentado propostas concretas para “alterar a trajetória económica, social e demográfica” da região, assentes na necessidade de uma “economia forte, competitiva e geradora de valor”.Entre as medidas defendidas e apresentadas ao Governo pela CCIAH, a associação assinala a implementação de um plano de desenvolvimento dos Açores com aposta em setores estratégicos como a agroindústria, a economia digital, o turismo, o mar e os mercados de carbono, a reorganização estrutural dos sistemas de transportes e logística, considerados fundamentais para a competitividade das empresas e para a coesão regional.A CCIAH tem também defendido a necessidade de "uma mudança de paradigma no modelo de desenvolvimento" da região, com uma "menor dependência da despesa pública" e "maior protagonismo da iniciativa privada na criação de riqueza e emprego qualificado".Para a Câmara do Comércio e Indústria de Angra do Heroísmo, o relatório valida esta visão ao evidenciar que a questão demográfica não se resolve com medidas isoladas ou de curto prazo, mas sim com a criação de condições que incentivem as pessoas "a viver, trabalhar e investir nos Açores".A CCIAH reafirma a sua "total disponibilidade" para continuar a contribuir, de forma ativa e construtiva", para "uma estratégia que permita inverter o atual ciclo de declínio demográfico e colocar os Açores num caminho de crescimento sustentável".Segundo o relatório apresentado, a 30 de março, as projeções sobre as tendências populacionais nos Açores revelam uma “transformação dramática”, com uma diminuição de 50% da população em idade ativa e um aumento de 60% dos residentes idosos até 2080.De acordo com o relatório "Preparing for Demographic Changes in Azores, Portugal", do economista da OCDE Jaebeum Cho, estas tendências “irão agravar as pressões já existentes sobre a despesa pública subnacional, especialmente a necessidade de melhorar a qualidade dos serviços e das infraestruturas na saúde, nos transportes e na educação”.