Câmara da Praia da Vitória diz que não pode conceder subsídios a empresas locais
12 de mai. de 2023, 17:07
— Lusa
“Ao
contrário do afirmado pelo ministério do Ambiente, a Câmara Municipal
da Praia da Vitória, por obrigação do disposto no n.º 1 do Artigo 36.º
da Lei Nº50/2012, não pode ‘conceder às empresas locais quaisquer formas
de subsídios ao investimento ou em suplemento a participações de
capital’. Estranha-se o desconhecimento da lei”, refere o município,
numa nota de imprensa a propósito da resposta dada pela tutela à
agência Lusa.O ministério do Ambiente
disse hoje que os entraves administrativos apontados pelo município da
Praia da Vitória no processo de requalificação da rede de abastecimento
de água, podem ser resolvidos pelo município.“O
município poderá, mediante a celebração de um contrato-programa ou
outra formalidade considerada adequada, transferir a verba para a
empresa municipal em questão, ultrapassando assim o que considera ser
«um entrave administrativo». Este esclarecimento foi prestado via
‘e-mail’ à Praia Ambiente, nos exatos termos aqui descritos, a 02 de
janeiro de 2023 pelo Fundo Ambiental”, adiantou fonte oficial do
ministério, numa resposta por escrito à agência Lusa.Na
segunda-feira, a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória,
Vânia Ferreira (PSD/CDS-PP), acusou o ministério do Ambiente de não
responder a pedidos de reunião, alegando que existiam processos
administrativos pendentes que podiam colocar em causa investimentos na
rede de água do concelho.Segundo Vânia
Ferreira, em causa estava uma obra orçada em cerca de 4,6 milhões de
euros de reforço do subsistema de abastecimento de água Agualva-Praia da
Vitória, que corria “o risco de não ser realizada”, por falta de “uma
adenda ao protocolo” entre o Fundo Ambiental e o município, que
incluísse a empresa municipal Praia Ambiente como entidade executora da
empreitada.Na sua nota de imprensa de
hoje, a autarquia refere, relativamente ao projeto orçado em 4,6 milhões
de euros, que, “se as peças do procedimento concursal são da
responsabilidade da Praia Ambiente EM, e esta, por não aceder ao
protocolo celebrado com o Fundo Ambiental, não tem financiamento
assegurado o que inviabiliza o lançamento do concurso, é óbvia a razão
da ausência de pedidos de pagamento”.“Em
maio de 2022, a autarquia solicitou reunião para resolução destas
questões. Nunca recebeu resposta. Após a exposição pública do município,
o ministério do Ambiente agendou uma reunião para discutir os processos
pendentes”, aponta a autarquia.O
município, citando que o ministério do Ambiente “diz não assumir valores
a mais referentes à empreitada Santa Rita/Juncal, os quais decorrem de
análises a suspeitas de contaminação, conforme divulgado”, refere que
“esta situação foi levantada na reunião técnica de preparação da 41ª
reunião da Comissão Bilateral, a 29 de agosto, no ministério dos
Negócios Estrangeiros”.De acordo com o
município, no artigo 51º da lei nº 24-D/2022, no seu ponto 1, refere-se
que “o Governo assegura a efetiva descontaminação dos solos e aquíferos
no concelho da Praia da Vitória, tendo em conta a sua consideração como
interesse nacional, garantindo o financiamento das respetivas medidas
através do Orçamento do Estado e concretizando a Resolução da Assembleia
da República n.º 129/2018, de 21 de maio”.“Aguarda-se,
portanto, ou por uma adenda ao protocolo ou pela celebração de um novo
que cumpra com o instituído legalmente”, afirma a Câmara Municipal da
Praia da Vitória.