Câmara aguarda decisão do tribunal sobre dívida do pavilhão Açor Arena
Hoje 09:20
— Nuno Martins Neves
A Câmara Municipal de Vila Franca do Campo aguarda decisão do Tribunal
Administrativo e Fiscal de PontaDelgada sobre o pedido de indemnização
movido pela Construções Couto e Couto, devido à construção do pavilhão multiusos Açor Arena. O assunto foi discutido na última Assembleia
Municipal, tendo a autarca Graça Melo afirmado que o município
assumiria o que tiver de assumir.Segundo noticiou o Açoriano
Oriental em janeiro, o Tribunal Central Administrativo Sul (TCAS)
entendeu que o pedido de indemnização movido pela Construções Couto e
Couto contra a Câmara Municipal de Vila Franca do Campo e a Vila Franca
do Campo Empreendimentos foi feito dentro dos prazos e mandou o
processo para o tribunal de 1.ª Instância que, recorde-se, considerou
que o direito para pedir indemnização tinha prescrito.Em causa,
quase 1 milhão de euros que será agora avaliado pelo Tribunal
Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada (TAFPD), 14 anos após o início
do processo e oito anos após a primeira decisão.Na Assembleia
Municipal da passada terça-feira, Graça Melo afirmou que “o que for resultante
do tribunal, estaremos aqui para assumir. Estou aqui para assumir
essas responsabilidades, apesar de se reportar a um ano em que eu não
estava cá”.O mandatário da autarquia no processo, o advogado Paulo
Linhares Dias, explicou que ainda não há qualquer decisão, que o
processo foi enviado pelo TCAS para o TAFPD, onde irá decorrer. O
vereador do PSD, Hélder Medeiros, considerou esta situação grave,
afirmando ter sido apanhado de surpresa. “Este processo existe pela
simples razão que foi deixada fora do reequilíbrio financeiro, do Dr.
Cordeiro [presidente de câmara entre 2009 e 2013] e a sua vereação, de
uma dívida de mais de 1 milhão de euros, quando outros credores de
dívidas da Açor Arena foram pagas”.Hélder Medeiros - que é um dos
dois únicos eleitos desse tempo ainda em atividade - foi mais longe,
acusando esta situação de ser um caso de polícia. “Porque carga de água é
que, com o reequilíbrio financeiro em que, obrigatoriamente, todas as
dívidas tinham que ser pagas, porquê é que se deixou, propositadamente,
uma dívida em cujas faturas e todo o processo dessa parceria
pública-privada, a partir de 2007, já estava na Câmara? Isto é um caso
de polícia”, afirmou.Em resposta, o advogado Paulo Linhares explicou
que “na altura, quando se fez o reequilíbrio financeiro, foram
assumidas todas as dívidas diretas das Câmaras”, assinalando que a
dívida à Construções Couto e Couto era da Gesquelhas.“Eu próprio
participei em muitos acordos com empreiteiros referentes a dívidas
diretas da Câmara, e esta não entrou justamente por essa razão, porque
não era a Câmara a devedora, mas sim a Gesquelhas [parceria
público-privada detida pela autarquia em 49% e pela empresa António
Alves Quelhas, SA, em 51%, tendo a autarquia, posteriormente, adquirido a
quota da empresa privada]”.