Calendários venatórios 2026/2027 reforçam caça ao coelho-bravo nos Açores
Hoje 15:06
— AO Online/Lusa
Os calendários venatórios para a época de
2026/2027 foram apresentados pelo secretário regional da Agricultura e
Alimentação, António Ventura, na Associação Terceirense de Caçadores.Recentemente
publicados em Jornal Oficial, os documentos estabelecem, para cada ilha
dos Açores, as espécies cinegéticas cuja caça é permitida, os períodos
venatórios, os limites de captura, as áreas autorizadas e os processos
de caça admitidos, na sequência de um trabalho desenvolvido pela Direção
Regional dos Recursos Florestais e Ordenamento Territorial (DRRFOT).O
Governo açoriano explica, numa nota de imprensa, que este processo tem
por base a monitorização contínua das populações cinegéticas, os estudos
técnico-científicos realizados pelos serviços florestais de cada ilha e
a auscultação das organizações representativas dos caçadores,
agricultores, produtores florestais e entidades de defesa do ambiente.Este
modelo de gestão permite "ajustar anualmente os calendários à realidade
ecológica e cinegética de cada ilha, garantindo que a atividade
venatória se desenvolve de forma sustentável, em total respeito pelos
princípios da conservação da natureza, da preservação da biodiversidade e
do equilíbrio dos ecossistemas", salienta o Governo Regional
(PSD/CDS-PP/PPM).Neste sentido, a época
venatória de 2026/2027 incide de forma particular sobre o coelho-bravo,
cujo aumento em várias ilhas do arquipélago justificou um reforço da
pressão cinegética como instrumento de gestão e controlo populacional.A
nível regional, aumenta o número total de dias de caça autorizados,
destacando-se a ilha de São Jorge, onde o período venatório passa de 68
para 106 dias e o limite diário de capturas sobe de 10 para 30 peças por
caçador, de acordo com o executivo açoriano.
Na ilha das Flores, o período de caça aumenta de 46 para 158 dias,
enquanto o limite diário de capturas passa de oito para 10 peças diárias
por caçador.Em sentido inverso, a
monitorização efetuada pelos Serviços Florestais confirmou a necessidade
de manter medidas de conservação reforçadas para algumas espécies mais
vulneráveis.No caso da narceja-comum, a
Secretaria Regional da Agricultura adianta que o declínio observado nos
efetivos nidificantes nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial
determinou a manutenção da interdição da caça a esta espécie nestes
territórios.Relativamente à galinhola, o
aumento da procura cinegética e a necessidade de assegurar a
sustentabilidade das populações justificaram uma redução da pressão de
caça, através da diminuição do número de dias autorizados e da
introdução de novas restrições em algumas ilhas.Para
as restantes espécies cinegéticas, os níveis de exploração mantêm-se,
de um modo geral, semelhantes aos da época anterior, refletindo "a
estabilidade das populações e a eficácia das medidas de gestão
atualmente implementadas", acrescenta.Para
o secretário regional da Agricultura, “os Açores dispõem hoje de um dos
modelos de gestão cinegética mais adaptativos, assente na monitorização
contínua das populações, na participação das organizações
representativas do setor e na capacidade de ajustar rapidamente as
medidas de gestão sempre que a evolução das espécies o justifique”.António
Ventura destacou ainda o contributo de todas as entidades envolvidas no
processo de elaboração dos calendários venatórios, apelando aos
caçadores açorianos para uma época venatória segura, responsável e
pautada pelas boas práticas da atividade cinegética.