Caldeirão do Corvo com vedação para combater processo de eutrofização
18 de abr. de 2023, 17:10
— Lusa
Alonso
Miguel, em declarações à Lusa, especificou que se irá proceder à
instalação de seis quilómetros de vedação para limitar o acesso do gado
naquela lagoa da mais pequena ilha dos Açores, com um perímetro de 2,3
quilómetros e uma profundidade de 320 metros, e que tem vindo a ser alvo
de um processo de eutrofização identificado na década de 90.O
Caldeirão é uma "reserva de água estratégica", "fundamental para
recarregar os aquíferos" da ilha do Corvo, sendo ainda um dos geosítios
mais procurados pelo turismo nos Açores devido à sua beleza natural. O
secretário regional do Ambiente e Alterações Climáticas do Governo dos
Açores referiu que, no Plano de Gestão Hidrográfica dos Açores
2022-2027, “está programada uma medida de redução dos impactos da
poluição em massas de água artificiais interiores, que inclui uma ação
especificamente dirigida à lagoa do Caldeirão para a melhoria da
conetividade das suas vertentes”.A
iniciativa “consiste no desenvolvimento e implementação de um programa
de ações com vista ao aumento da agregação e compactação do solo das
suas vertentes, de forma reduzir a propensão para a queda dos musgões”,
especificou o governante.O titular da
pasta do Ambiente referiu que, no âmbito da iniciativa Life IP Azores
Natura, “está prevista uma intervenção, numa área superior a 100
hectares, onde serão plantadas espécies endémicas (5200 unidades) nas
vertentes da lagoa para ajudar a estabilização dos musgões e a conexão
das vertentes”.Alonso Miguel apontou que
,“devido ao pastoreio livre na lagoa, vai ser promovida uma ação que
visa melhorar os ‘habitats’ ali existentes através da instalação de seis
quilómetros de vedação para limitar o acesso do gado”.É
caso dos ‘habitats’ prioritários das tufeiras, que são considerados
importantes sistemas naturais de retenção e purificação da água, visando
melhorar a qualidade da massa de água.O
responsável político, questionado sobre a eventual retirada do gado do
interior da lagoa do Caldeirão, afirmou que este é um “processo lento e
fortemente dependente da atividade pecuária”. “É
um processo complexo fazer uma retirada total do gado da bacia
hidrográfica da lagoa do Caldeirão", declarou, para salvaguardar que
"enquanto a atividade agropecuária se mantiver não é possível eliminar a
principal fonte de poluição difusa”. Para
além da eutrofização, a lagoa do Caldeirão apresenta fissuras que
contribuem para eliminar água do seu interior, tendo o secretário
regional referido que esta é uma “condição muito especifica e não é
justificável fazer uma intervenção. “No
fundo, o que poderia ser realizável era uma impermeabilização da lagoa”,
frisou, recordando que a lagoa do Caldeirão constituiu uma reserva
natural integrada na Rede Natura 2000.O
Caldeirão do Corvo está a ser alvo ainda de um processo de erosão e nada
pode ser feito, porque se trata de um fenómeno “normal”, segundo um
especialista ouvido pela Lusa, em 2022.Nicolau
Wallenstein, vulcanólogo - que chefiou uma equipa que procedeu a um
estudo, em 2004, na montanha vulcânica Monte Gordo, denominada por
Caldeirão do Corvo, a pedido da Direção Regional do Ambiente -
considera que o monumento sofre de um “processo de erosão natural e
bastante avançado devido aos ventos dominantes dos Açores”.