Cafôfo diz que não é responsabilidade do PS/Madeira aprovar Orçamento Regional
15 de nov. de 2024, 11:15
— Lusa/AO Online
“Cabe
ao PSD e aos partidos que viabilizaram este governo aprovar o seu
orçamento. Este é um orçamento da direita, que tem de ser aprovado pela
direita, não é responsabilidade do Partido Socialista apoiar um
orçamento que não é seu, nem um orçamento de um governo que não foi o PS
a viabilizar”, declarou Paulo Cafôfo. Falando
em conferência de imprensa, no Funchal, o líder da estrutura regional
do PS, referiu que em junho, aquando do debate do Programa do Governo,
foi debatida uma moção de confiança ao Governo Regional liderado por
Miguel Albuquerque, viabilizada pelo CDS-PP, Chega, IL e PAN, além do
PSD.Paulo Cafôfo defendeu que, “se esses
partidos negociaram com o PSD” e integraram propostas suas no Programa
do Governo, “viabilizando depois esse mesmo governo”, agora “compete a
esses partidos e só a esses partidos a aprovação deste Orçamento
Regional para 2025”.O líder do PS/Madeira
realçou ainda que não é pelo PS que o debate do Orçamento para 2025 não
ocorrerá e acusou os partidos que viabilizaram o governo de agora
quererem “fugir com o rabo à seringa” para não debatê-lo.“Deram
confiança a Miguel Albuquerque e agora querem fugir de tomar uma
posição e de aprovarem o orçamento com medidas também suas”, criticou.Questionado
pelos jornalistas, Paulo Cafôfo não clarificou o sentido de voto do PS,
insistindo várias vezes que não é responsabilidade do seu partido
viabilizar um Orçamento do PSD.Por outro
lado, dirigindo-se ao JPP, Paulo Cafôfo disse que o partido tem de
decidir se quer fazer oposição ao PS e nunca sair desse lugar de
oposição ou se quer “subir com o PS, contra o PSD” e, “no momento
certo”, criar uma solução governativa em alternativa aos
sociais-democratas. O parlamento da
Madeira aprovou na quinta-feira, em plenário, um requerimento do
presidente que valida a decisão da conferência dos representantes dos
partidos de adiar o debate da moção de censura para depois do Orçamento
para 2025.O requerimento, alicerçado num
parecer elaborado pela assessoria jurídica do gabinete do presidente da
Assembleia Legislativa, foi aprovado com votos a favor do PSD e de um
deputado do CDS-PP, votos contra de JPP, Chega, PAN e IL, e abstenção do
PS e do presidente do parlamento, o democrata-cristão José Manuel
Rodrigues.A discussão do Orçamento
Regional decorre entre os dias 09 e 12 de dezembro, estando depois a
moção de censura ao executivo madeirense agendada para 17 de dezembro,
embora tenham sido levantadas dúvidas jurídicas sobre a legalidade da
decisão, uma vez que o regimento do parlamento indica que o documento
tem de ser votado até oito dias úteis após a sua entrega.A
moção foi apresentada pelo Chega, em 06 de novembro, alegando os
processos judiciais em curso envolvendo o presidente do executivo e
quatro secretários regionais, todos constituídos arguidos.A
confirmarem-se as intenções de voto divulgadas, a moção terá aprovação
garantida com os votos de PS, JPP, Chega e IL, que juntos têm maioria
absoluta. O parlamento conta ainda, além do PSD, com o CDS-PP (com um
acordo com os sociais-democratas) e o PAN. Albuquerque foi constituído arguido no final de janeiro por suspeitas de corrupção, abuso de poder e prevaricação.O
social-democrata, chefe do executivo desde 2015, demitiu-se na altura,
mas venceu as eleições antecipadas de maio. O PSD não conseguiu, porém,
alcançar a maioria absoluta e, mesmo tendo firmado um acordo parlamentar
com o CDS-PP, os dois partidos têm um total de 21 deputados, sendo que a
maioria absoluta requer 24.A aprovação da
moção de censura implica a demissão do Governo Regional e a permanência
em funções até à posse de uma nova equipa.