Café sobe depois de Washington ameaçar impor tarifa adicional a produtos brasileiros
Tarifas:
11 de jul. de 2025, 16:04
— Lusa/AO Online
Os Estados
Unidos anunciaram que tencionam impor uma tarifa adicional de 50% sobre
as importações do Brasil, o maior produtor mundial de café, a partir de
01 de agosto.De acordo com o portal de
indicadores económicos e financeiros Trading Economics, os futuros do
café chegaram a subir 3,2% para se fixarem nos 2,95 dólares por libra
(unidade de massa equivalente a aproximadamente 0,453592 quilogramas),
contra 2,52 euros/libra na quarta-feira, antes de reduzirem os ganhos
para terminarem em 2,89 dólares/libra.Os
preços de futuros do café arábica têm vindo a cair de forma constante
desde 28 de abril (4,12 dólares/libra), devido às notícias de melhores
perspetivas de colheita no Brasil e noutros países produtores.Até agora, em 2025, o preço mais alto do café foi registado em 13 de fevereiro (4,33 dólares/libra).De
acordo com a Trading Economics, os analistas do Rabobank alertaram para
o facto de os consumidores norte-americanos puderem enfrentar preços
mais elevados do café, a menos que sejam concedidas isenções para
produtos que não podem ser facilmente cultivados internamente. A
Trading Economics acrescentou que, apesar das preocupações com as
tarifas, os comerciantes notaram que o clima favorável no Brasil apoiou
os esforços de colheita e secagem, o que está a permitir que novos
suprimentos cheguem ao mercado mais rapidamente.O
portal de indicadores económicos e financeiros detalhou que as
expectativas de uma colheita maior no segundo semestre do ano,
impulsionadas pela chegada da nova colheita no Brasil, continuam a
apoiar os fundamentos gerais do mercado. Apesar
disso, advertiu que persiste a pressão de outras regiões, já que a
produção colombiana de arábica caiu 22% em termos homólogos em junho
(909.000 sacas de 60 kg), a terceira queda mensal consecutiva em
comparação com o mesmo período do ano passado.Por
outro lado, a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC) alertou
na quinta-feira para "impactos extremamente negativos e relevantes"
para toda a cadeia produtiva, caso a tarifa de 50% seja implementada.A
associação patronal destacou, em nota, que os Estados Unidos são o
maior consumidor de café do mundo e "dependem de países produtores, como
o Brasil, para abastecer seu mercado interno".Para
a ABIC, a sanção, comunicada "de forma unilateral", é um "grave
retrocesso" na relação comercial bilateral e pode comprometer "a
competitividade das exportações e pressionar os custos num momento de
reorganização do mercado global".