Cadete de Matos lança "repto" ao grupo Altice para que "invista mais"
5G
14 de dez. de 2023, 09:55
— Alexandra Luís/Lusa/AO Online
A Autoridade Nacional de
Comunicações (Anacom) publicou recentemente o investimento em estações
de 5G que as operadoras de telecomunicações fizeram no mercado português
durante os últimos dois anos, o qual tem sido feito "progressivamente",
refere João Cadete de Matos.Atualmente,
são "cerca de 8.200 novas estações 5G com antenas 5G a emitir", o que
mostra "que os três operadores fizeram já esse investimento", prossegue o
responsável.Os dados "revelam que a
empresa NOS foi a que criou mais estações, também era aquela que tinha
antes menos estações do 4G, mas tem procurado compensar esse défice com
maior investimento em estações 5G", com "praticamente neste momento
3.900 estações" de quinta geração.A
Vodafone Portugal "tem quase 3.000 estações e a Meo tem apenas 1.400
estações, portanto, são 17% em termos do total, mas se compararmos a
maior com a Vodafone são menos de metade e, se compararmos com a NOS,
são praticamente um quarto de estações", detalha, reafirmando as
declarações que tinha feito há uma semana aos jornalistas."Objetivamente,
os números do investimento revelam que a Meo tem feito um investimento
substancialmente inferior ao investimento da NOS e da Vodafone", mas
"também é verdade que no leilão do 5G a NOS e a Vodafone" foram as que
compraram mais frequências, tendo ficado com obrigações de investimento
maiores, prossegue."Também é verdade que a
Anacom criou nas condições do leilão do 5G possibilidade das empresas
acordarem entre si e partilhar as antenas, fazerem 'roaming' nacional",
recorda João Cadete de Matos.A NOS e a
Vodafone Portugal têm um acordo de partilha das antenas, o que
"potencia" que os consumidores "tenham um maior grau de satisfação".Portanto,
"aquilo que assinalei e que reafirmo [é que] os números são
absolutamente inequívocos quanto a esse respeito" e que, de facto, "a
Meo está a ficar para trás no investimento no 5G".Com
isto, "aquilo que estou a fazer é lançar um repto para que o grupo
Altice/Meo invista mais, portanto, não fique para trás e reforce o
investimento", insiste Cadete de Matos, que cumpre hoje o último dia à
frente da Anacom, sublinhando a sua total isenção relativamente a todas
as empresas do setor.Sobre a notícia de
que nos próximos dias será publicada a adjudicação do investimento nos
cabos submarinos, o responsável classifica de "uma excelente notícia
para o país"."Aliás, o leilão do 5G, os
seus fundos também permitiram financiar o novo anel de cabos submarinos
que vai ligar o continente aos Açores e à Madeira", aponta.Por
vezes, "pensa-se que o anel é só relevante para os Açores e para a
Madeira, não, o anel é extremamente relevante para toda a zona marítima
do nosso país", para que este seja "de grande dimensão, com toda a zona
atlântica, mas ainda por cima este cabo vai ser um cabo submarino
inovador que vai ter sensores no fundo do Atlântico a atravessar as
várias placas tectónicas", os quais permitem identificar os movimentos
das placas. Ou seja, pode "fazer alertas
sísmicos e isto é extremamente importante", prossegue, salientando ainda
a importância do novo cabo submarino ser um "cabo público", o que "vai
garantir a acessibilidade em termos de preço para todos os operadores".Relativamente
ao concurso para a cobertura das zonas brancas, destaca o facto de
Portugal "ser o primeiro país europeu a beneficiar do investimento
público, quer de fundos europeus, quer também de fundos do leilão do 5G
para levar a fibra ótica a todas as casas do nosso território, quer no
continente, quer nos Açores, quer na Madeira"."Portanto,
vamos ter rede fixa, vamos ter um novo anel de cabos submarinos, vamos
ter esta rede móvel [5G] com estas características e, já agora, também
convém não esquecermos que temos já uma rede de satélites que nos
permite ter comunicações com velocidades e preços competitivos em todo o
território", sintetiza.Questionado sobre a
inteligência artificial (IA), Cadete de Matos sublinha que "quer na
União Europeia quer em Portugal há claramente o interesse em aproveitar
esse potencial e, portanto, tirar as vantagens" da tecnologia "para
muitas atividades humanas".Trata-se de uma tecnologia que também tem riscos, "necessita de facto de ser regulada", defende João Cadete de Matos.A
Anacom "está disponível dentro de toda esta transformação digital para
contribuir para essa regulação" e "depois supervisionar todo o trabalho
que é feito nessa área, de forma a proteger os cidadãos a proteger os
países e evitar os riscos que, de facto, a inteligência artificial,
nalguns casos, também pode potenciar".