Caderno de encargos propõe venda de pelo menos 75% da Azores Airlines
Hoje 17:13
— Lusa/AO Online
O
caderno de encargos proposto pelo conselho de administração da SATA ao
Governo dos Açores, a que agência Lusa teve acesso, estabelece um modelo
de “negociação particular” para a privatização da companhia aérea, que
vai ter de ser concluída até final do ano, segundo o plano de
reestruturação aprovado pela Comissão Europeia.“A
negociação particular concretiza-se através de um processo de alienação
de ações representativas de participação não inferior a 75% do capital
social da SATA Internacional, eventualmente acompanhada de operações de
alteração da estrutura de capital”, lê-se no documento.A
venda de pelo menos 75% da empresa representa uma diferença face ao
anterior concurso, que previa uma alienação mínima de 51% e máxima de
85%, um procedimento encerrado a 06 de março sem privatização, após o
júri e a administração da SATA terem considerado que a proposta do
Atlantic Connect Group, a única admitida, apresentava “riscos
inaceitáveis”.Na proposta de caderno de
encargos, que vai ser apresentada em Conselho do Governo Regional, o
comprador fica obrigado a “não proceder a despedimentos coletivos, nem à
extinção de postos de trabalhos existentes na SATA Internacional
durante um período mínimo de 30 meses” e a respeitar os acordos de
trabalho em vigor.O documento estabelece,
também, as obrigações de manter durante o “período mínimo de 30 meses” a
“sede e a direção efetiva” da companhia os Açores e as rotas de São
Miguel e Terceira com Lisboa e Porto, bem como as ligações entre a
região e os Estados Unidos e Canadá.O
comprador fica obrigado ainda a manter o Certificado de Operador Aéreo
(COA) na Azores Airlines durante o tempo mínimo de três anos.O
caderno de encargos sugerido define uma fase inicial para a
qualificação dos interessados, uma segunda fase para apresentação de
propostas não vinculativas e uma terceira fase de propostas
vinculativas, prevendo, também, a possibilidade de existir uma “fase
eventual de negociação final”.“Constituem
requisitos de participação dos interessados na negociação particular a
demonstração de idoneidade e de capacidade financeira”, estabelece o
caderno.Entre os critérios de seleção das
propostas encontra-se o valor apresentado para a compra das ações, o
“compromisso de contribuição para o reforço da capacidade
económico-financeira” da empresa, a “ausência de condicionantes
jurídicas ou económicas”, a “garantia” de respeito pelos “compromissos”
laborais e a promoção da “estabilidade acionista”, através da
“implementação de um modelo de governo que tenha em conta a específica
natureza” da Azores Airlines.Um dos
critérios de avaliação é a “apresentação de um plano estratégico
adequado, exequível, coerente e sustentado” a “longo prazo”, que
contribua para o “reforço do ‘hub’ dos Açores”, através das ligações com
o continente e diáspora e da “conectividade com a operação da SATA Air
Açores” (companhia que voa interilhas) para assegurar uma “real
acessibilidade a todos os Açores".A
“demonstração da contribuição da empresa como fator estruturante da
economia açoriana” é também um dos critérios de avaliação no caderno de
encargos proposto pela administração da SATA ao executivo dos Açores.O
processo vai ser acompanhado por um supervisor independente, o
economista Augusto Mateus, que presidiu ao júri do anterior concurso de
privatização.A 07 de maio, o presidente da
SATA, Tiago Santos, na Assembleia Regional, destacou a importância de
iniciar um novo processo “estruturado de forma diferente” baseado na
negociação particular e com “clareza” quanto à “responsabilidades da
dívida”.