"Buscas a comandos por suspeita de tráfico não afetam imagem do país"
8 de nov. de 2021, 12:38
— Lusa/AO Online
“Não afeta a
nossa imagem internacional. Se as autoridades judiciais entendem que há
indícios que exigem investigações, essas investigações devem ser feitas.
Vigora o princípio da separação dos poderes. não tenho nada a dizer
sobre investigações em curso", disse Augusto Santos Silva.Fonte
ligada ao processo confirmou à Lusa que a operação está a decorrer em
vários locais do país, entre os quais o regimento dos Comandos na
Carregueira, Sintra, e que conta com cerca de 100 mandados de busca e
detenção. Em causa estão suspeitas de tráfico de droga, ouro, diamantes e
branqueamento de capitais. Segundo a TVI,
que avançou com a notícia da operação, os visados são militares,
comandos e ex-comandos, militares da GNR e agentes da PSP que terão
usado missões portuguesas da ONU, nomeadamente na República Centro
Africana (RDA) para cometerem os crimes.De
acordo com vários órgãos de comunicação social, estão a ser cumpridos,
pelo menos, 10 mandados de detenção em Lisboa, Porto, Bragança e Vila
Real. A investigação foi aberta há mais de um ano no Departamento de
Investigação e Ação Penal de Lisboa.Augusto
Santos Silva disse aos jornalistas, à margem de uma conferência do
AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), em
Coimbra, que “não trata indícios como se fossem factos apurados".“O
que digo é que a imagem internacional de Portugal muito beneficia do
facto de, como gostamos de dizer, sermos um contribuinte líquido para a
segurança internacional e o facto de em particular nas missões da paz
das Nações Unidas ou da NATO ou das missões da União Europeia o papel
desempenhado pelos militares portugueses ser unanimemente reconhecido”,
sublinhou.Augusto Santos Silva destacou a
sua experiência enquanto ministro da Defesa e agora como ministro dos
Negócios Estrangeiros, sublinhando que não ouviu de nenhum interlocutor
internacional que fale sobre as missões de Portugal que não fosse um
“pedido para que continuemos a reforçar a nossa presença”.