Burro anão da Graciosa ainda corre risco de extinção
Hoje 10:13
— Lusa/AO Online
Segundo a
presidente da Associação de Criadores e Amigos do Burro Anão da Ilha
Graciosa, Graça Mendonça, atualmente estão registados 127 animais desta
raça, que se encontram na ilha Graciosa e em outras ilhas do
arquipélago, como Pico, Santa Maria e São Jorge.“O
nosso trabalho vai no sentido de aproximação aos criadores e na ajuda
para a preservação desta raça autóctone aqui dos Açores e que ainda
está, de facto, em risco de extinção, dado o seu número de efetivo.
Neste momento temos registados 127 animais, no total”, disse a
dirigente à agência Lusa.Graça Mendonça
exerce as funções de presidente da direção da associação desde outubro
de 2025, mas está ligada ao burro típico da Graciosa desde os tempos da
Universidade, quando fez o trabalho do estudo genético e morfológico que
levou ao reconhecimento da raça, a 29 de junho de 2015.A
dirigente reconhece, no entanto, que o número de exemplares aumentou na
região “desde que foi comprovada a raça” e passou a ser atribuído um
subsídio aos criadores cujos animais estejam “dentro do padrão” da
linhagem.“De facto, o isolamento e, [por]
ainda quem tem alguns destes exemplares ser a população mais idosa,
muitas vezes dificulta os cruzamentos, ou seja, quem tem um macho às
vezes não tem uma fêmea. Claro que agora já vamos conseguindo que alguns
novos criadores tenham mais animais, mas ainda há muitas pessoas que
têm ou um macho ou uma fêmea e, normalmente, ainda não estão muito
abertas a emprestar só para cruzamento ou para fazer venda/troca de
animais”, explicou.A presidente da
Associação de Criadores e Amigos do Burro Anão da Ilha Graciosa indicou
que existem exemplares destes animais em outras ilhas do arquipélago,
cujos proprietários se tornaram sócios para terem ajuda “na parte do
registo” da raça.“Com o trabalho de
divulgação, houve um aumento do interesse por parte das pessoas de
outras ilhas e era bom e gostávamos nós que existissem mais exemplares
para se poderem espalhar mais, porque, de facto, muitas vezes há pessoas
que têm interesse em adquirir, mas não é fácil ainda arranjar animais
para vender”, disse.A atual direção da
associação pretende avançar com iniciativas que permitam divulgar a raça
do burro anão da Graciosa e aumentar o número de criadores e de
proprietários nos Açores.Uma das ideias
passa pela sensibilização dos alunos das escolas. A anterior direção já
fazia atividades nas escolas, recebia visitas de estudo e promovia o
contacto com os animais e a atual equipa diretiva, liderada por Graça
Mendonça, pretende “reforçar e continuar esse trabalho, que é de extrema
importância” e, se possível, alargá-lo a todo o arquipélago.“Depois,
também gostávamos de fazer um trabalho de asinoterapia, para mostrar
que estes animais têm outro potencial bastante importante, na parte das
terapias. E, de facto, aumentar a divulgação e mostrar que a associação
está disponível para ajudar todos aqueles criadores ou novos criadores
ou amigos que queiram saber mais, ou adquirir um animal ou tenham
dúvidas sobre os cuidados que devem ter”, adiantou.Segundo
a dirigente, apesar do burro anão ser uma raça autóctone da Graciosa, a
instituição tem “todo o gosto que outras ilhas também tenham este
animal”.Foi no seguimento do trabalho
iniciado, em 2007, pelo italiano Franco Ceraolo, que foi viver para a
ilha Graciosa, conhecida como “a ilha dos burros”, que foi criada a
Associação de Criadores e Amigos do Burro Anão da Ilha Graciosa, a 19 de
março de 2013. A associação, com o apoio da Universidade dos Açores,
conseguiu o reconhecimento da raça em 2015.Segundo
a Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA), o burro
anão da Graciosa, “cuja denominação se deve à sua pouca estatura, uma
vez que mede pouco mais de um metro de altura ao garrote”,
caracteriza-se “pelas riscas mais escuras nas costas, que sobressaem no
seu pelo habitualmente cinzento”.“Muito
mansos e de andar pausado, os burros da Graciosa são ideais para
acompanhar os viajantes nos seus percursos pelos trilhos desta e de
outras ilhas do arquipélago, onde existem também alguns animais desta
raça tão peculiar”, indicou a AEPGA.