Burocracia trava obras urgentes de reabilitação em ponte românica

Vilar de Mouros

26 de nov. de 2007, 15:42 — Lusa / AO online

Em comunicado, a Câmara lembra que a tutela daquela obra pertencia à DGEMN, que desenvolveu o respectivo projecto, já concluído. "A extinção daquele organismo veio suspender uma obra que, directamente, até nem terá custos para o Estado, uma vez que a Câmara está disposta a pagar os trabalhos de reabilitação, estimados em cerca de 20 mil euros", refere o comunicado. Acrescenta que a Câmara está agora "a fazer todos os esforços" para assinar um protocolo com o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR), sem o qual a obra não pode avançar uma vez que a ponte está classificada como monumento nacional. O IGESPAR resultou da extinção e fusão do Instituto Português de Arqueologia (IPA) e do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR). "Com a nova organização, falta agora apenas definir quem fica responsável pela obra", sustenta a Autarquia. Datada do século XIII, a ponte românica de Vilar de Mouros "aguarda desde há cerca de três anos por obras, já nessa altura consideradas urgentes, como é o caso do arranjo do pavimento, também de uma parte das guardas e dos aquedutos". A Câmara reconhece que a inauguração do troço da A-28, entre Viana do Castelo e Caminha, "veio pressionar ainda mais a ponte, que agora está sujeita a um tráfego acrescido, embora a travessia tivesse sido proibida à circulação de pesados e limitada a velocidade aos 10 quilómetros por hora para os ligeiros. No Outono de 2004, o presidente da Junta de Vilar de Mouros, Carlos Alves, alertou para o "perigo iminente" em que se encontra a ponte românica da freguesia e exigiu "medidas urgentes" para evitar a ruína daquele monumento nacional. "A ponte apresenta um abatimento significativo no pavimento e uma série de fissuras nos arcos e aquedutos, pelo que inspira muitos cuidados. Não tenho dúvidas de que, se nada for feito, ela acabará por cair", disse à Agência Lusa o autarca comunista. Carlos Alves reivindica mesmo a construção de uma nova ponte em Vilar de Mouros, ficando aquela, "de elevado valor sentimental" para as gentes da freguesia, destinada apenas a peões. A ponte românica de Vilar de Mouros é, neste momento, o único elo de ligação entre os diversos lugares da freguesia, que está dividida pelo rio Coura. "A única alternativa seria atravessar o rio pela ponte de Caminha, o que obrigaria a uma volta de cerca de sete quilómetros", referiu o autarca. Há cerca de quatro anos, a Direcção-Geral dos Monumentos Nacionais fez uma intervenção na ponte que, segundo Carlos Alves, "não passou de uma pequena operação de cosmética". "Fizeram a limpeza do local e o enchimento das juntas e pouco mais", criticou o autarca, sublinhando que a solução passa por uma "intervenção de fundo", que "não poderá demorar muito", sob pena de se perder um dos 'ex-libris' da freguesia.