Bruxelas sugere recurso ao sistema antigo perante problemas no controlo de fronteiras em Portugal
15 de out. de 2025, 11:35
— Lusa/AO Online
“Não estou a par de
nada que tenha acontecido em Portugal, [mas o novo sistema] inclui a
possibilidade de voltar ao sistema [antigo] sempre que ocorrer algo que
possa prejudicar o novo sistema”, disse o porta-voz da Comissão Europeia
para a área dos Assuntos Internos, Markus Lammert.Questionado
pela Lusa na conferência de imprensa diária da instituição, após
relatos de filas de espera superiores a 90 minutos no aeroporto de
Lisboa na terça-feira, o responsável referiu que o sistema “está
construído precisamente para casos em que possam surgir possíveis
indícios que o sistema pode ser utilizado”.“Todos
os 29 países do espaço Schengen [de livre circulação] lançaram com
sucesso o seu sistema de entrada e saída e um sistema tão grande é uma
tarefa complexa e complicada. É por isso que temos um período de
transição integrado, um período de fase de introdução de seis meses, que
permite uma introdução gradual do novo sistema”, adiantou Markus
Lammert.O novo sistema eletrónico de fronteiras deverá estar totalmente em vigor em abril de 2026.A
posição surge depois de a PSP ter falado num “dia
crítico” no aeroporto de Lisboa, com os passageiros de fora da UE a
esperarem mais de 90 minutos nas partidas e chegadas devido ao novo
sistema eletrónico de controlo.A Comissão Europeia descreveu como “um sucesso” a entrada
em vigor do novo sistema eletrónico de entrada e saída da União
Europeia, apesar dos problemas em Portugal, falando em mais de 100 mil
registos em dois dias.“No domingo,
lançámos com sucesso o Sistema de Entrada/Saída. Todos os 29
Estados-membros do espaço Schengen estão agora a registar nacionais de
países terceiros e, em apenas dois dias, mais de 100000 pessoas foram
registadas” em toda a União Europeia (UE), afirmou o comissário europeu
para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner.Intervindo
à margem da reunião dos ministros dos Assuntos Internos, no Luxemburgo,
Magnus Brunner falou num “marco na nova abordagem à gestão das
fronteiras”.“Permite-nos saber quem entra e
sai da UE, quando e onde. Trata-se de um marco importante no reforço da
nossa segurança interna”, reforçou.Além
disso, de acordo com o comissário europeu da tutela, “o novo sistema
facilitará a identificação de migrantes em situação irregular e o
regresso daqueles que não têm direito a permanecer na UE”.Desde
domingo que está em funcionamento em Portugal e restantes países do
espaço Schengen o novo sistema europeu de controlo de fronteiras para
cidadãos extracomunitários em que as entradas e saídas de viajantes de
países terceiros passam a ser registadas eletronicamente, com indicação
da data, hora e posto de fronteira, substituindo os tradicionais
carimbos nos passaportes.O novo sistema
europeu de controlo automatizado de fronteiras externas aplica-se a
todos os cidadãos não pertencentes à UE que entrem no território para
estadias de curta duração (até 90 dias num período de 180 dias),
independentemente de necessitarem de visto.