Bruxelas sem preocupações imediatas no abastecimento de petróleo
Irão
Hoje 12:25
— Lusa/AO Online
“A
nossa análise aponta para que não haja preocupações imediatas quanto à
segurança do abastecimento na UE. Solicitámos aos nossos Estados-membros
que partilhem connosco as suas avaliações nacionais até ao final do dia
de hoje e iremos reunir um grupo de coordenação do petróleo nas
próximas 48 horas”, disse a porta-voz do executivo comunitário para a
Energia, Anna-Kaisa Itkonen, na conferência de imprensa diária da
instituição, em Bruxelas.Numa altura em
que as tensões no Médio Oriente colocam o abastecimento de petróleo e de
gás sob pressão e levam a subidas nos preços, dados os ataques
iniciados por Israel e Estados Unidos ao Irão e a resposta iraniana, a
porta-voz admitiu que a questão está a ser discutida pela Comissão
Europeia, tanto num colégio de segurança realizado hoje, como num debate
de orientação sobre os preços da energia que se realiza na sexta-feira.“Não
comentamos aqui os preços da energia, mas é evidente que a configuração
das rotas e dos padrões de transporte globais é algo que, a longo
prazo, determinará também a estrutura dos preços”, assinalou.Já
quanto questionada sobre um eventual impacto no abastecimento de gás à
UE, Anna-Kaisa Itkonen garantiu que o armazenamento atual no espaço
comunitário ronda os 30%, “ainda dentro dos limites estabelecidos pela
União para definir o fim do inverno em níveis adequados e garantir o
reabastecimento durante o próximo verão”.“Por
isso, não estamos a tomar quaisquer medidas de emergência ou algo do
género. Não há escassez, não há emergência. As importações de gás estão
bem diversificadas e isso é algo a que temos prestado muita atenção nos
últimos anos”, adiantou, assinalando que Bruxelas está pronta para
convocar um grupo de coordenação para este combustível fóssil “se houver
necessidade”.O conflito entre Israel e o
Irão pode afetar a segurança energética da UE sobretudo de forma
indireta, já que a instabilidade na região do Golfo Pérsico tem impacto
global, especialmente se houver riscos para o tráfego no Estreito de
Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.Qualquer perturbação nessa rota faz subir os preços internacionais do petróleo e do gás, afetando os países comunitários.Atualmente,
a UE importa petróleo principalmente dos Estados Unidos, da Noruega, do
Iraque, da Arábia Saudita, do Cazaquistão e da Nigéria.No
que toca ao gás natural, os principais fornecedores são a Noruega, os
Estados Unidos (sobretudo gás natural liquefeito), o Qatar, a Argélia e o
Azerbaijão, tendo a dependência da Rússia diminuído significativamente
desde 2022 dada a invasão russa da Ucrânia.Ainda
assim, vários destes fornecedores exportam através da região do Golfo, o
que, face a um conflito mais alargado, pode significar volatilidade nos
mercados, aumento de preços e pressão económica na Europa.Israel
e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão,
para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão
respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e
alvos israelitas.