Bruxelas quer poder aplicar contramedidas comerciais mesmo que OMC esteja a decidir
12 de dez. de 2019, 13:00
— Lusa/AO Online
"Não
nos podemos dar ao luxo de ficar indefesos se não for possível uma
solução satisfatória” na OMC para as disputas comerciais, disse o
comissário europeu do Comércio, Phil Hogan.O
Órgão de Recurso da Organização Mundial do Comércio (OMC), uma espécie
de tribunal para resolução de diferendos entre os 164 Estados-membros,
deixou de funcionar na quarta-feira, quando dois dos três juízes
obrigatórios para qualquer decisão terminaram os seus mandatos sem serem
substituídos.O atual regulamento da OMC
só permite à UE implementar contramedidas comerciais (como direitos
aduaneiros) quando todos os procedimentos em curso, incluindo os
processos de recurso, estiverem concluídos.A
proposta apresentada hoje pela Comissão visa autorizar a UE a tomar
contramedidas "mesmo que a OMC não decida definitivamente sobre o
recurso", explicou o comissário europeu.“Enquanto
o Órgão de Recurso da OMC não puder cumprir as suas funções, os membros
da OMC terão possibilidade de fugir às suas obrigações e evitar
decisões vinculativas simplesmente apresentando um recurso”, disse o
representante de Bruxelas.“Estão muitos
empregos europeus em jogo. A UE tem de ser capaz de garantir que os seus
parceiros respeitem os compromissos”, sublinhou a presidente da
Comissão, Ursula von der Leyen.De acordo
com o esboço das conclusões da reunião, consultado pela agência de
notícias francesa AFP, os líderes europeus reunidos entre hoje e
sexta-feira na cimeira de Bruxelas vão pedir ao Parlamento Europeu e aos
Estados-membros que “considerem prioritariamente a proposta da
Comissão”.O órgão de recurso da OMC deixou
de funcionar na quarta-feira, já que a resolução dos conflitos obriga à
existência de pelo menos três juízes, mas o prazo máximo de trabalho
foi atingindo por dois deles, deixando o organismo com apenas um juiz em
funções.A nomeação de novos juízes tem
sido discutida desde 2017, mas os Estados Unidos bloquearam sempre os
possíveis nomes, sobretudo por considerarem que a OMC tem tomado
decisões contrárias ao interesse do país.Os
representantes dos Estados-membros da OMC reúnem-se hoje em Conselho
Geral e a discussão passará inevitavelmente pela “urgente” reforma do
organismo de resolução de conflitos.A
reunião contará com a apresentação das propostas da União Europeia para
reforma da organização, que passam por novas regras para os membros
cessantes do Órgão de Recurso, clarificando os casos em que podem
permanecer no cargo para concluir os recursos em que estejam envolvidos e
por normas destinadas a garantir o início automático do procedimento de
seleção dos membros do Órgão de Recurso quando um posto fica vago e uma
transição ordenada dos membros cessantes.