Bruxelas quer impedir Minsk e Moscovo de usarem pessoas "como armamento"
Migrações
11 de dez. de 2024, 15:58
— Lusa/AO Online
De
acordo com uma comunicação, o
executivo comunitário quer impedir Moscovo e Minsk de pressionarem os
países da UE com os requerentes de asilo que atravessam aqueles dois
países. Para isso, o executivo de Ursula
von der Leyen vai disponibilizar mais 170 milhões de euros, para a
Finlândia (19,4 milhões de euros), Letónia (17 milhões de euros),
Lituânia (15,4 milhões de euros), Polónia (52 milhões de euros) e
Noruega (16,4 milhões de euros).O
propósito deste apoio é reforçar as redes de vigilância eletrónicas, os
sistemas de telecomunicações e outros equipamentos necessários para
fazer uma “avaliação em tempo real” da situação nas fronteiras de cada
um destes países.A Polónia vai receber a
maior 'fatia' deste apoio (150 milhões de euros), depois de anunciar que
está a ponderar suspender os direitos de asilo de imigrantes que
atravessam a Bielorrússia.Questionada
sobre a decisão de Varsóvia, a vice-presidente executiva da Comissão
Europeia para a Soberania Tecnológica e Segurança, Henna Virkkunen, não
respondeu à questão, limitando-se a dizer que o executivo comunitário
está em contacto com todos os Estados-membros.Em
conferência de imprensa, em Bruxelas, na Bélgica, Henna Virkkunen disse
que o propósito desta comunicação da Comissão Europeia era impedir
Minsk e Moscovo de “utilizarem os imigrantes como armamento”.Citada
no comunicado que acompanha o documento, a presidente, Ursula von der
Leyen, diz que o objetivo é “impedir a Rússia e a Bielorrússia de
utilizarem os princípios e valores da UE contra a UE”.Face
a questões dos jornalistas sobre a utilização por parte dos próprios
Estados-membros da UE da imigração como “armamento”, nomeadamente
retóricas propagadas pelo Governo austríaco e húngaro contra imigrantes,
a vice-presidente executiva circunscreveu esta comunicação às ações dos
regimes de Vladimir Putin e Aleksandr Lukashenko.Na
quarta página do documento, a Comissão Europeia aponta a
“instrumentalização digital" dos requerentes de asilo, nomeadamente a
disseminação de conteúdos com retóricas consideradas pelo executivo
comunitário como prejudiciais, e até o aliciamento por parte de redes de
tráfico de pessoas.Questionada sobre as
redes sociais onde a Comissão Europeia detetou esta alegada
instrumentalização e o que levou o executivo a fazer essa avaliação,
Henna Virkkunen foi evasiva na resposta e disse que era uma avaliação
que era feita com regularidade pelo executivo europeu.