Bruxelas propõe redução de 5% na pesca do carapau em águas ibéricas em 2026
30 de out. de 2025, 12:28
— Lusa/AO Online
Em causa está a
proposta divulgada pelo executivo comunitário sobre totais
admissíveis de capturas nas águas da União Europeia (UE) do Atlântico
para o próximo ano, que a instituição diz ser “baseada em pareceres
científicos do Conselho Internacional para a Exploração do Mar” e que
visa “garantir a sustentabilidade económica a longo prazo das pescas da
UE”.Em concreto, Bruxelas propõe uma
redução de 5% na pescada do carapau em águas ibéricas, de 3% no sargo
vermelho nos Açores e de 2% no tamboril também em águas ibéricas, tendo
por base o rendimento máximo sustentável.Maiores
são as descidas propostas relativamente ao linguado (-28%), à abrótea
(-26%) e à solha (-20%), isto em águas ibéricas e nas capturas
acessórias, com a instituição a justificar estar em causa uma abordagem
de precaução para 2026 e 2027.A Comissão
Europeia propõe, por seu lado, um aumento de 12% nos totais admissíveis
de captura no linguado do mar em águas ibéricas no próximo ano.Ainda quanto às águas ibéricas, ficam inalterados os máximos de captura na pescada, solha e raia ondulada.Quanto
ao Golfo da Biscaia, é proposta uma redução de 27% na pesca da pescada
branca, de 26% na abrótea (e igual nas capturas acessórias no Mar
Cantábrico), de 20% na solha e de 1% no linguado comum.Na
informação divulgada, a Comissão Europeia defende ainda uma
proibição de pesca de seis meses para todas as atividades de captura de
enguia, bem como uma proibição da pesca recreativa em águas marinhas e
salobras da UE do Atlântico Nordeste, dado o “estado crítico” desta
espécie.Esta proposta será discutida pelos
ministros das Pescas da UE, reunidos em Conselho em Bruxelas a 11 e 12
de dezembro, com vista a alcançar um acordo político, que entrará em
vigor em janeiro de 2026.Além das águas
nacionais, Portugal pesca nas águas partilhadas com Espanha,
designadamente no Golfo da Biscaia e Mar Cantábrico, e nas águas
ibéricas, sendo estas últimas classificadas em relatórios da UE como a
zona principal de pesca portuguesa.À
exceção das águas nacionais, as outras duas zonas estão sob gestão
conjunta da UE e são alvo de quotas de captura definidas anualmente.Estas
quotas são fixadas pelos Estados-membros, com base numa proposta da
Comissão, e aplicam-se à maioria dos ‘stocks’ comerciais pescados.Ao
abrigo da política comum das pescas, os países da UE são obrigados a
gerir os ‘stocks’ de peixe de acordo com o rendimento máximo sustentável
e a abordagem de precaução, incluindo a recuperação de ‘stocks’
esgotados.As espécies mais importantes para a pesca em Portugal são a sardinha, o carapau, a pescada, o tamboril e o peixe-espada-preto.A
sustentabilidade da pesca visa garantir o equilíbrio dos ecossistemas
marinhos e a sobrevivência das espécies que sustentam o setor.