Bruxelas propõe novas regras para melhorar coordenação no espaço Schengen
14 de dez. de 2021, 18:10
— Lusa/AO Online
Adotadas
na reunião do colégio de comissários, em Estrasburgo, França, à
margem da sessão plenária do Parlamento Europeu, as propostas preveem
designadamente atualizações ao Código das Fronteiras Schengen, para uma
gestão mais coordenada quer das fronteiras externas, quer das fronteiras
internas da UE, e, relativamente a estas últimas, garantir que a
reintrodução de controlos continua a ser “uma medida de último recurso”.Depois
de se terem verificado nos últimos dois anos múltiplos ‘incidentes’ com
decisões unilaterais tomadas pelos Estados-membros, sobretudo para
tentar conter a propagação da Covid-19, o executivo comunitário quer
“racionalizar as regras sobre a reintrodução do controlo nas fronteiras
internas, assegurando que qualquer prolongamento seja acompanhado das
salvaguardas adequadas”.Pretende também
“apoiar a cooperação policial operacional e as medidas alternativas para
assegurar que os controlos nas fronteiras internas continuem a ser uma
medida de último recurso”.Bruxelas defende
que "qualquer Estado-Membro que decida reintroduzir controlos, deve
avaliar a adequação da reintrodução e o seu provável impacto na livre
circulação de pessoas" e, ao abrigo das novas regras, "deve (…) avaliar o
impacto nas regiões fronteiriças". "Além
disso, um Estado-Membro que pondere prolongar os controlos em resposta a
ameaças previsíveis deve primeiro avaliar se medidas alternativas, tais
como controlos policiais orientados e uma cooperação policial
reforçada, poderiam ser mais adequadas", argumenta a Comissão.A
propósito, propõe avaliações de risco para prolongamentos superiores a
seis meses e propõe que, nos casos em que os controlos internos estejam
em vigor há 18 meses, "a Comissão tenha de emitir um parecer sobre a
proporcionalidade e necessidade" das medidas."Em
todos os casos, os controlos fronteiriços temporários não devem exceder
um período total de dois anos, exceto em circunstâncias muito
específicas. Isto ajudará a assegurar que os controlos nas fronteiras
internas continuem a ser uma medida de último recurso e só durem o tempo
estritamente necessário", sublinha. Segundo
a Comissão, “as regras atualizadas permitirão ao Conselho adotar
rapidamente regras vinculativas que estabeleçam restrições temporárias
de viagem nas fronteiras externas em caso de ameaça à saúde pública”,
continuando a estar previstas isenções, incluindo para os viajantes
essenciais, bem como para os cidadãos e residentes da União. “Isto
garantirá a aplicação uniforme das restrições de viagem, com base na
experiência dos últimos anos”, argumenta a Comissão, que recordou hoje
que, sobretudo durante a pandemia, as suas recomendações (não
vinculativas) não foram respeitadas pelos Estados-membros.As
regras incluem também um novo “mecanismo de salvaguarda Schengen”, para
dar uma resposta comum nas fronteiras internas em situações de ameaças
que afetam a maioria dos Estados-Membros, tais como ameaças à saúde
pública ou outras ameaças à segurança interna e à ordem pública. “Com
este mecanismo, que complementa o mecanismo existente para as
deficiências na fronteira externa, os controlos nas fronteiras internas
na maioria dos Estados-Membros poderiam ser autorizados por uma decisão
do Conselho em caso de ameaça partilhada. Tal decisão deverá também
identificar medidas que atenuem os impactos negativos dos controlos”,
aponta o executivo comunitário.A Comissão
propõe-se igualmente “definir a instrumentalização e especificar as
medidas que os Estados-Membros podem tomar para reforçar a vigilância
das fronteiras”, apontando que o objetivo das suas propostas é “tornar o
espaço Schengen mais forte, mais seguro e adequado à evolução dos
desafios”.Nesse sentido, “as regras
revistas reconhecem o importante papel que os Estados-Membros nas
fronteiras externas desempenham em nome de todos os Estados-Membros e da
União como um todo” e “introduzem novas medidas que os Estados-Membros
podem tomar para gerir eficazmente as fronteiras externas da UE, numa
situação em que os migrantes são instrumentalizados para fins
políticos”, tais como “a limitação do número de pontos de passagem de
fronteira e a intensificação da vigilância fronteiriça”. A
Comissão propõe também medidas adicionais ao abrigo das regras da UE em
matéria de asilo e regresso para clarificar a forma como os
Estados-Membros podem responder em tais situações, no pleno respeito dos
direitos fundamentais, e tal inclui a possibilidade de alargar o prazo
de registo dos pedidos de asilo até quatro semanas e de examinar todos
os pedidos de asilo na fronteira, exceto no cenário de casos médicos. “O
acesso efetivo ao procedimento de asilo deve continuar a ser garantido e
os Estados-Membros devem assegurar o acesso das organizações
humanitárias que prestam assistência. Os Estados-Membros terão também a
possibilidade de instaurar um procedimento de gestão de regresso de
emergência. Por último, sempre que solicitado, as agências da UE
(Agência Europeia de Asilo, Frontex, Europol) deverão prestar apoio
operacional ao Estado-Membro em questão com caráter prioritário”,
explica a Comissão.“A pandemia demonstrou
muito claramente que o espaço Schengen é a chave para as nossas
economias e sociedades. Com as nossas propostas de hoje, asseguraremos
que os controlos fronteiriços sejam introduzidos como último recurso,
com base numa avaliação comum e apenas durante o tempo que for
necessário”, declarou a comissária europeia dos Assuntos Internos, Ylva
Johansson, na apresentação das propostas, que serão de seguida
negociadas entre o Conselho e o Parlamento Europeu.Atualmente,
o espaço Schengen alberga mais de 420 milhões de cidadãos, em 26
países, estimando a Comissão que, diariamente, cerca de 3,5 milhões de
pessoas atravessem fronteiras internas, incluindo 1,7 milhões de pessoas
que residem num Estado-membro de Schengen e trabalham noutro.