Bruxelas promete salvaguardar agricultores em acordo com Mercosul que aumentará exportações em 39%
3 de set. de 2025, 15:01
— Lusa/AO Online
De acordo
com a informação disponibilizada hoje pelo executivo comunitário, sobre
as propostas que vai apresentar ao Conselho da União Europeia (UE) para
que possam ser alvo de discussão e aprofundamento, o acordo com os
países do Mercosul deverá aumentar em 39% as exportações anuais da UE,
para mais 49 mil milhões de euros.O acordo
que vai criar “a maior zona de comércio livre do mundo" vai reduzir “os
encargos aduaneiros muitas vezes proibitivos para as exportações da
UE”, incluindo em “produtos industriais essenciais, como automóveis
(hoje de 35%), maquinaria (entre 14% e 20%) e indústria farmacêutica
(até 14%)”.A previsão da Comissão Europeia
é de que as exportações agroalimentares “cresçam pelo menos 50%” com a
redução tarifária, nomeadamente em vinho e bebidas brancas, chocolate e
azeite, prevenindo a imitação e a “competição injusta” de 344 produtos
com indicação de proteção geográfica.Mas a
principal novidade que a Comissão Europeia quis apresentar foram as
salvaguardas, em específico para o setor agrícola, o principal crítico
deste acordo.“Nós ouvimo-los, este acordo é
um novo acordo do Mercosul, ouvimos todas as pessoas que queriam este
acordo, desde os nossos parceiros no Mercosul aos nossos
Estados-membros, e representantes do setor agrícola, para ter a certeza
de que o acordo é bom e justo”, disse o comissário europeu para o
Comércio, Maroš Šefčovič, em conferência de imprensa, em Bruxelas,
prometendo “fortes salvaguardas”.As
salvaguardas, de acordo com o executivo comunitário, protegerão os
produtores de “um crescimento prejudicial das importações” a partir dos
países do Mercosul. Fonte europeia
explicou à Lusa que o objetivo destas salvaguardas é avaliar se num
determinado mercado ou Estado-membro (tendo em conta que flutuações de
mercado num país do bloco comunitário terão influência em vários) há
alguma disrupção causada por importações de países do Mercosul, por
exemplo, na carne bovina.A partir daí, a
Comissão Europeia poderá encetar um processo de monitorização de cerca
de meio ano e, em função das conclusões que tire, aplicar tarifas
unilaterais para controlar essas disrupções.Os países do Mercosul são o Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai. Fonte
europeia acrescentou que o objetivo é concluir o processo até ao final
do ano, aproveitando a presidência brasileira do Mercosul, mas o
processo ainda tem de ser analisado pelo Parlamento Europeu e pelos 27
Estados-membros.