Bruxelas prepara-se para ‘no deal’ em negociações com Londres
Brexit
27 de fev. de 2020, 12:59
— Lusa/AO Online
“A Comissão vai
continuar a preparar-se para um cenário de ‘no deal’ [falta de acordo]
no âmbito dessas negociações, mas vai também preparar-se para um cenário
útil e positivo”, declarou a porta-voz do executivo comunitário Dana
Spinant, falando na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia,
em Bruxelas.Questionada na ocasião sobre o
texto hoje publicado esta manhã pelo Reino Unido, no qual o governo
britânico admite abandonar as negociações com a UE para um acordo
pós-Brexit se não houver progressos até junho, a responsável do bloco
comunitário insistiu: “A Comissão vai manter o seu foco e preparar-se
para um resultado positivo das negociações e vai continuar a informar os
cidadãos e as empresas sobre quais as medidas necessárias em caso de
‘no deal’”.Dana Spinant frisou ser, para já, “prematuro especular sobre o resultado dessas negociações, que só começam na segunda-feira”.E,
apesar de se escusar a “comentários extensos” ao texto britânico, por
ter sido publicado há pouco, a porta-voz saudou a data estipulada pelo
governo do Reino Unido.“Relativamente aos
prazos hoje apontados pelo Reino Unido, há uma reunião de balanço em
meados deste ano, em junho, para avaliar onde estamos nas negociações,
por isso esse prazo estipulado pelo primeiro-ministro Boris Johnson é
justo”, referiu Dana Spinant.Num documento
de 40 páginas que estabelece a posição inicial do Reino Unido para as
negociações de um acordo de comércio com a UE, que começam na próxima
semana, o bloco britânico manifesta empenho em "trabalhar de maneira
rápida e determinada" até junho, altura para a qual está marcada uma
cimeira de alto nível para avaliar os progressos.Por
seu lado, o governo britânico identifica como principal ponto de
discórdia a exigência da UE de respeito pelas regras e leis europeias
pós-Brexit, propondo em alternativa um "relacionamento baseado na
cooperação amigável entre iguais soberanos, com ambas as partes
respeitando a autonomia legal e o direito de gerir os seus próprios
recursos como entenderem". Boris Johnson
já tinha dado a conhecer a preferência por um acordo de comércio livre
semelhante ao que a UE tem com o Canadá, que permite eliminar as tarifas
aduaneiras sobre a maior parte dos produtos. Porém,
este modelo de acordo não remove completamente barreiras regulatórias
nem garante um acesso total ao mercado único incluindo na área dos
serviços, que representa uma parte importante da economia britânica. Os
27 Estados-membros da UE, reunidos na terça-feira ao nível de um
Conselho de Assuntos Gerais, deram ‘luz verde’ formal à Comissão
Europeia para iniciar as negociações com Londres visando uma "parceria
ambiciosa, abrangente e equilibrada" com o Reino Unido, em "benefício de
ambos os blocos".As negociações entre as
duas equipas de negociadores arrancam na próxima segunda-feira, em
Bruxelas, naquela que é a primeira ronda de negociações e se prolonga
até quinta-feira, devendo a segunda ronda ter lugar ainda em março, em
Londres.As rondas negociais serão realizadas alternadamente em Bruxelas e em Londres.