Bruxelas permite redirecionar fundos de coesão para apoio a refugiados
Ucrânia
8 de mar. de 2022, 17:17
— Lusa/AO Online
Esta
proposta, denominada CARE (sigla em inglês da chamada "Ação de Coesão
para os Refugiados na Europa", e que, em tradução livre, significa
assistência), faz parte de uma série de iniciativas apresentadas
pelo colégio do executivo comunitário em matéria de assistência a todos
os que fogem da operação militar russa na Ucrânia, abrangendo ajuda
humanitária, apoio à gestão das fronteiras e proteção dos refugiados.Relativamente
à CARE, trata-se de um instrumento que introduz a flexibilidade
necessária nas regras da política de coesão para 2014-2020, a fim de
permitir uma rápida reafetação do financiamento disponível ao apoio de
emergência, podendo os fundos ser aplicados em investimentos na
educação, emprego, habitação, saúde e serviços de cuidados infantis, e
no caso do Fundo Europeu de Auxílio aos mais Carenciados (FEAD), em
assistência material básica como alimentação e vestuário.Além
disso, aponta a Comissão Europeia, “o envelope de 2022 de 10 mil
milhões de euros da Ajuda à Recuperação para a Coesão e os Territórios
da Europa (REACT-EU) também pode ser utilizado para responder a estas
novas exigências no âmbito do objetivo global de recuperação
pós-pandémica”."A
UE está solidária com a Ucrânia contra a invasão brutal da Federação
Russa. As propostas hoje apresentadas irão facilitar e acelerar a
mobilização de fundos de coesão para ajudar as pessoas que fogem à
guerra na Ucrânia, bem como para apoiar os Estados-Membros e as regiões
da linha da frente que os acolhem”, comentou a comissária da Coesão,
Elisa Ferreira.A
comissária portuguesa sublinhou ainda que, “além disso, a excecional
taxa de cofinanciamento de 100% aplicada em resposta à pandemia será
prolongada por um ano”.“Convido
o Parlamento Europeu e o Conselho a considerarem rapidamente esta
proposta para que os Estados-membros e as regiões possam aproveitar
estas novas oportunidades o mais rapidamente possível", acrescentou
Elisa Ferreira.A
Comissão propôs também hoje prolongar o período de implementação das
verbas disponíveis para os Estados-membros ao abrigo dos fundos dos
Assuntos Internos 2014-2020, o que permite libertar cerca de 420 milhões
de euros em apoio adicional.A
nível de ajuda humanitária, Bruxelas indicou que, do pacote de 500
milhões de euros do orçamento comunitário canalizados para lidar com as
trágicas consequências humanitárias da guerra, tanto dentro como fora da
Ucrânia, anteriormente anunciado pela presidente da Comissão, Ursula
von der Leyen, “90 milhões de euros em ajuda humanitária, incluindo 85
milhões para a Ucrânia e 5 milhões para a Moldova, estão já em curso
para fornecer alimentos, bem como água, cuidados de saúde, abrigo e para
ajudar a cobrir as necessidades básicas dos mais vulneráveis”. “Através
da maior ativação de sempre do Mecanismo de Proteção Civil da UE em
resposta a uma emergência, milhões de artigos, incluindo veículos,
'kits' médicos, tendas, cobertores e sacos de dormir já chegaram aos
mais necessitados na Ucrânia”, ao mesmo tempo que também é entregue
assistência suplementar à vizinha Moldova e ainda à Polónia e à
Eslováquia para apoiar todos aqueles que fogem da guerra.Também
hoje, a Comissão Europeia anunciou a criação de um sistema europeu
dedicado à transferência rápida de pessoas que necessitam de cuidados
médicos entre os Estados-membros da UE. “À
medida que o número de pessoas que fogem da guerra continua a aumentar,
é crucial assegurar que os refugiados e pessoas deslocadas recebam os
cuidados de saúde de que necessitam e que os sistemas de saúde dos
Estados-membros, em particular os dos países limítrofes da Ucrânia, não
sejam sobrecarregados”, justifica o executivo comunitário. Num
debate hoje à tarde no Parlamento Europeu, em Estrasburgo,
imediatamente antes da apresentação destas iniciativas, a comissária
europeia dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, apontou que a UE já
acolheu nos últimos 12 dias cerca de dois milhões de refugiados que
fogem da ofensiva militar russa, tantos quanto no conjunto de 2015 e
2016, período de uma crise migratória, sobretudo resultante da guerra na
Síria.