Bruxelas pede que Estados-membros vacinem 70% da população adulta até ao verão
Covid-19
19 de jan. de 2021, 16:23
— Lusa/AO Online
“O nosso
objetivo é termos 70% da nossa população adulta vacinada até ao verão.
Seria um ponto de viragem na nossa luta contra este vírus”, referiu a
presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em comunicado.A
recomendação surge num documento publicado pela Comissão Europeia dois
dias antes da reunião por videoconferência dos líderes dos
Estados-membros, que irão debater uma resposta coordenada europeia para a
atual vaga de Covid-19, e propõe um conjunto de ações a serem adotadas
pelos Estados-membros para “aumentar a luta contra a pandemia”. Entre
as ações pedidas aos Estados-membros, o executivo comunitário apela a
que “até março de 2021, pelo menos 80% da população com uma idade
superior a 80 anos, e 80% dos profissionais de saúde, devem ter sido
vacinados em todos os Estados-membros”. Já
no que se refere ao resto da população, a Comissão apela também a que
“até ao verão de 2021, os Estados-membros já tenham vacinado um mínimo
de 70% da população adulta”. Em
conferência de imprensa de apresentação do documento, o comissário para a
Promoção do Modo de Vida Europeu, Margaritis Schinas, referiu que estas
metas são necessárias para um “esforço de vacinação ambicioso”. “Para
conseguirmos atingir este objetivo, temos de aumentar o fornecimento de
vacinas, nomeadamente ao trabalharmos com os fornecedores para
aumentarmos a capacidade de produção na UE”, referiu Schinas. A
Comissão pede também que os Estados-membros cheguem a uma posição comum
sobre certificados de vacinação mutuamente reconhecidos até ao final
deste mês, de maneira a que estes possam ser “rapidamente utilizados nos
sistemas de saúde de toda a UE”.Sobre
este aspeto, Schinas, referiu que os certificados têm “uma importância
crucial” porque “permitem um registo claro do historial de vacinação de
cada pessoa que permita o seguimento médico mais adequado”. “Uma
abordagem comum europeia a certificados fiáveis e verificáveis iria
permitir que as pessoas usem os seus registos em outros Estados-membros e
também abriria a porta para outras utilizações que permitiriam o
aligeiramento das restrições”, destacou Schinas. No
que se refere a viagens, o executivo comunitário destaca também a
necessidade de se “preservar o mercado único e a livre circulação de
pessoas”, mas refere que “as viagens não-essenciais devem ser fortemente
desencorajadas” e que “restrições de viagens proporcionais, como o
teste a viajantes, devem manter-se”.É
ainda recomendando que, devido à emergência de novas variantes da
covid-19, os Estados-membros “expandam a utilização de testes rápidos de
antigénio” e atualizem as suas estratégias de testagem.“Os
Estados-membros devem urgentemente aumentar a sequenciação do genoma de
pelo menos 5%, e preferencialmente 10%, dos resultados positivos de
teste. Atualmente, muitos Estados-membros estão a tentar menos de 1% das
amostras, o que não é suficiente para identificar a progressão das
novas variantes do vírus ou detetar novas”, refere o executivo
comunitário.No que se refere ao
fornecimento de vacinas a países terceiros, a Comissão salienta ainda
que irá criar um mecanismo para “estruturar o fornecimento de vacinas
partilhadas pelos Estados-membros com parceiros”.“Isto
deverá permitir a partilha do acesso com parceiros a algumas das 2,3
mil milhões doses de vacines adquiridas através da Estratégia de Vacinas
da UE, com especial atenção para os Balcãs Ocidentais, a nossa
vizinhança do Leste e do Sul, e África”, refere o executivo.Tudo
isto, segundo a comissária para a Saúde, Stella Kyriakides, permitirá
que a UE “comece a ver o fim do início” e entre “no início do fim” da
pandemia. “Nas próximas semanas,
enfrentaremos grandes desafios, e a nossa unidade será a nossa força. O
ano passado, mostra-nos isto com muita clareza”, sublinhou a comissária.