Bruxelas investe 347 ME para reforçar segurança dos cabos submarinos da UE

Hoje 15:16 — Lusa/AO Online

“Os cabos submarinos de dados, que transportam 99% do tráfego intercontinental da internet, são essenciais para a vida moderna e para a economia europeia. Perante o aumento dos riscos que ameaçam esta infraestrutura crítica, a Comissão Europeia está a intensificar os esforços para reforçar a sua segurança e resiliência”, justifica o executivo comunitário em comunicado.Assim, a instituição decidiu alterar o Programa de Trabalho Digital do Mecanismo Interligar a Europa para alocar 347 milhões de euros a projetos estratégicos de cabos submarinos, incluindo um concurso de 20 milhões de euros para reforçar as capacidades de reparação da UE, que abre esta quinta-feira.Além disso, criou uma Caixa de Ferramentas para a Segurança dos Cabos, com medidas de mitigação de riscos, bem como uma lista de Projetos de Cabos de Interesse Europeu, com vista a alocar mais verbas comunitárias do orçamento da UE a longo prazo.Os anúncios  integram o Plano de Ação da UE para a Segurança dos Cabos, que visa aumentar a segurança e a resiliência dos cabos submarinos europeus, como os que existem em Portugal, para combate ao aumento de danos intencionais e atos de sabotagem.Numa avaliação de riscos realizada em outubro de 2025, o executivo comunitário identificou cenários de risco, ameaças, vulnerabilidades e dependências.No âmbito do atual programa de trabalho plurianual do Mecanismo Interligar a Europa (2024–2027) estão alocados 533 milhões de euros a projetos de cabos submarinos, dos quais 186 milhões de euros já foram atribuídos a 25 projetos.Entre 2021 e 2024, o programa disponibilizou 420 milhões de euros para 51 projetos de conectividade de cabos.A segurança dos cabos submarinos é importante para Portugal porque o país ocupa uma posição geoestratégica chave no Atlântico, funcionando como ponto de ligação entre a Europa, África e Américas, com vários cabos internacionais a aterrar em território nacional, incluindo nos Açores e no continente.Estes cabos suportam comunicações digitais, serviços financeiros, serviços de nuvem (‘cloud’), defesa, investigação científica e a economia digital em geral, pelo que qualquer interrupção pode ter impactos significativos económicos, sociais e de segurança.Além disso, Portugal tem vindo a assumir uma crescente relevância como ‘hub’ tecnológico e de dados, zelando pela segurança de tais infraestruturas, num contexto de riscos acrescidos de sabotagem, acidentes e tensões geopolíticas.