Bruxelas favorável a manter suspensão das regras orçamentais em 2022
Covid-19
3 de mar. de 2021, 11:44
— Lusa/AO Online
A
posição do executivo comunitário, que vai ao encontro do desejo de
muitos Estados-membros, como Portugal, que defendiam que a aplicação
flexível das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC) fosse
mantida também no próximo ano, consta de uma comunicação adotada
pelo colégio da Comissão com orientações atualizadas de política
orçamental para os Estados-membros.Lembrando
que propôs a ativação da cláusula geral de derrogação do quadro
orçamental da UE há precisamente um ano, em março de 2020, “como parte
da sua estratégia para responder rapidamente, com vigor e de uma forma
coordenada à pandemia do coronavírus”, a Comissão aponta que tal
“permitiu aos Estados-membros adotar medidas para lidar de forma
adequada com a crise, afastando-se dos requisitos orçamentais que
normalmente se aplicariam”.A comunicação adotada estabelece as considerações da Comissão sobre como uma
futura decisão relativamente à desativação ou manutenção da cláusula em
2022 deve ser tomada, defendendo Bruxelas que “a decisão deve ser tomada
na sequência de uma avaliação global do estado da economia baseada em
critérios quantitativos”, tendo o executivo comunitário ‘eleito’ a
atividade económica como principal fator de ponderação.“O
nível de atividade económica na UE ou na zona euro em comparação com os
níveis pré-crise (finais de 2019) seria o critério quantitativo
fundamental para a Comissão, ao fazer a sua avaliação global da
desativação ou aplicação contínua da cláusula de derrogação. Por
conseguinte, as atuais indicações preliminares sugerem que se continue a
aplicar a cláusula geral de derrogação em 2022, desativando-a em 2023”,
aponta então a Comissão Europeia.Todavia,
o executivo comunitário aponta que uma decisão final só será tomada
dentro de sensivelmente dois meses, por ocasião da divulgação das
previsões macroeconómicas da primavera, que permitirão ter uma ideia
mais clara da evolução da situação económica da UE e da zona euro no
corrente ano e no próximo.“Na sequência de
um diálogo entre o Conselho e a Comissão, a Comissão avaliará a
desativação ou a manutenção da cláusula geral de derrogação com base nas
previsões económicas da primavera de 2021, que serão publicadas na
primeira quinzena de maio”, explica o executivo liderado por Ursula von
der Leyen.A Comissão Europeia decidiu
emitir hoje estas orientações para oferecer alguma previsibilidade aos
Estados-membros, também na medida em que estes devem apresentar a
Bruxelas os seus programas anuais de estabilidade e convergência até
final de abril.“Estamos atualmente numa
situação excecional e, por conseguinte, queremos prestar aos
Estados-membros algumas orientações prévias, para os ajudar a preparar
esses programas”, que devem já incluir a trajetória orçamental de
médio-prazo, justificou a Comissão. Na
passada sexta-feira, no final de um Conselho Europeu por
videoconferência, o primeiro-ministro, António Costa, afirmara que tudo
aponta para que a União Europeia prolongue para 2022 a vigência da
cláusula de não aplicação das regras de disciplina orçamental, face à
crise provocada pela covid-19. "É um tema
que está em aberto e a convicção que temos aponta no sentido de que a
cláusula de exceção de não aplicação do Tratado Orçamental seguramente
vai ter de ser prolongada para 2022", declarou o primeiro-ministro.Em
março do ano passado, e face ao impacto sem precedentes da pandemia na
economia europeia, a UE ativou a cláusula que suspende temporariamente
as regras europeias de disciplina orçamental – em matérias como o défice
e a dívida pública –, para permitir aos Estados-membros fazer face à
situação.A decisão final sobre a
manutenção da cláusula geral de derrogação também em 2022 será então
tomada em maio, e, uma vez formalmente proposta pela Comissão, deve ser
apreciada ao nível do Conselho de ministros das Finanças da UE (Ecofin),
este semestre sob presidência portuguesa, em concreto do ministro das
Finanças, João Leão.