Bruxelas exorta Portugal a usar todas as verbas e fala em peso de 3% do PIB em 2026
PRR
17 de nov. de 2025, 16:52
— Lusa/AO Online
“No
que respeita ao PRR, trata-se, obviamente, de um importante motor de
investimento público, incluindo em Portugal, pelo que é importante
concentrarmo-nos em utilizar ao máximo este financiamento e, em
especial, a componente de subvenção”, afirmou o comissário europeu da
Economia, Valdis Dombrovskis, em entrevista a meios de comunicação
europeus em Bruxelas, entre os quais a agência Lusa.No
dia em que o executivo comunitário apresentou projeções económicas de
outono, o responsável europeu pela tutela disse ser por isso que a
instituição está “a trabalhar com os Estados-membros para simplificar e
fazer os ajustes finais dos planos, para que os Estados-membros possam
concentrar-se totalmente na implementação e maximizar a utilização deste
financiamento do PRR, visando obviamente a implementação total”.Portugal
tem vindo a prometer usar precisamente todas as subvenções do PRR, mas
tem de o fazer até agosto de 2026, que é quando termina o programa.“Vale
a pena notar que o PRR expira no próximo ano [e aí] os fundos
estruturais e o fundo de coesão da UE vão voltar a desempenhar um papel
mais importante no apoio ao investimento público nos Estados-membros,
incluindo Portugal, pelo que esperamos que este financiamento acelere
também em Portugal”, apelou.Dados
divulgados por Valdis Dombrovskis, em resposta à Lusa, revelam que, em
termos quantitativos, “as despesas financiadas ao abrigo do PRR devem
atingir cerca de 2% do PIB [Produto Interno Bruto] este ano e 3% no
próximo ano” em Portugal.“No que respeita
aos fundos estruturais [como de coesão], a sua importância está a
aumentar, especialmente a partir de 2027, altura em que se espera que
atinja 0,9% do PIB”, acrescentou o responsável.Nas
suas previsões de outono, hoje divulgadas, o executivo comunitário
aponta que “as trajetórias das políticas orçamentais na UE refletem
necessidades crescentes de despesa em defesa, mas são acompanhadas por
incertezas políticas internas em alguns Estados-membros”.“Além
disso, a aproximação do fim do Mecanismo de Recuperação e Resiliência
[que financia os PRR], em agosto de 2026, coloca desafios aos
Estados-membros no que respeita à aceleração da execução eficaz dos seus
planos e ao aumento da utilização dos fundos de coesão em 2027,
sobretudo nos países onde o investimento depende fortemente do apoio da
UE”.Ao todo, o PRR português tem um valor
de 22,2 mil milhões de euros, com 16,3 mil milhões de euros em
subvenções e 5,9 mil milhões de euros em empréstimos do Mecanismo de
Recuperação e Resiliência.Isto representa 8,29% do PIB português e corresponde a 349 investimentos e 89 reformas.Portugal está, por isso, entre os países que deverão registar maiores ganhos em termos de PIB.Atualmente,
o país já recebeu 9,34 mil milhões de euros em subvenções e 3,39 mil
milhões de euros em empréstimos e a taxa de execução do plano é de 40%. O
Mecanismo de Recuperação e Resiliência, que financia o PRR, surgiu para
fazer face às consequências económicas da pandemia de covid-19 e entrou
em vigor em 2021, com um total de 800 mil milhões de euros (a preços
correntes). Estão em causa 650 mil milhões de euros a preços de 2021.