Bruxelas exorta Pequim a partilhar regularmente “dados fiáveis” sobre situação
Covid-19
5 de jan. de 2023, 14:30
— Lusa/AO Online
“O
importante acordo alcançado ontem [quarta-feira] pelos Estados-Membros
sobre uma resposta coordenada à evolução da situação da covid-19 na
China, com base num parecer do Comité de Segurança Sanitária, é um passo
muito bem-vindo, pois ajudará a reforçar a sua capacidade de rastrear a
propagação do vírus e proteger os nossos cidadãos”, considerou Stella
Kyriakides numa declaração à qual a Lusa teve acesso. Apontando
que “a UE continuará a trabalhar com os seus Estados-membros e
parceiros internacionais para acompanhar de perto a situação e reagir em
conformidade”, a comissária com a pasta da Saúde sublinha que tal “deve
ser feito num espírito de solidariedade, confiança e transparência”. “Por
conseguinte, é essencial que as autoridades chinesas partilhem
regularmente com os parceiros mundiais dados fiáveis sobre a evolução
dos indicadores e sequenciação da covid-19”, disse Stella Kyriakides,
argumentando que “essa é a melhor forma de estar preparado para qualquer
situação e potencialmente detetar variantes novas e perigosas”. A
comissária indica que o executivo comunitário manifestou às autoridades
chinesas a sua solidariedade e ofereceu “apoio sob qualquer forma”,
caso tal se revele necessário.Na
quarta-feira, a UE encorajou hoje "fortemente" os Estados-membros a
imporem testes à covid-19 antes da partida de passageiros oriundos da
China, medida que deve ser mal recebida por Pequim e que já foi
criticada pelo setor da aviação.Após uma
semana de negociações entre especialistas em saúde da UE, não foi
alcançado um acordo para que os 27 Estados-membros adotassem restrições,
mas foram decididas outras recomendações que caberá a cada país
aplicar: o uso obrigatório de máscara para os viajantes provenientes da
China, testes aleatórios à chegada ou mesmo o controlo de águas
residuais de aeroportos e aviões provenientes da China.Na
decisão sobre a testagem a viajantes oriundos da China, é referido que
“os Estados-membros são fortemente encorajados a introduzir, para todos
os passageiros que partem da China para os Estados-Membros, a exigência
de um teste covid-19 negativo realizado até 48 horas antes da partida”.O
governo chinês e especialistas em saúde europeus defenderam que não há
uma necessidade urgente de restrições gerais às viagens, uma vez que as
variantes da covid-19 emergentes da China já são predominantes na
Europa.A China rejeitou veementemente a
imposição de restrições, como as adotadas pela Itália, França ou Espanha
dentro da UE, e alertou para “contramedidas” caso tais políticas fossem
impostas em todo o bloco.Em Portugal, o
ministro da Saúde assegurou esta terça-feira que “tudo estará preparado”
para, em caso de necessidade, serem adotadas medidas de controlo da
covid-19 em Portugal, nomeadamente nos aeroportos para viajantes
oriundos da China.O número de casos de
covid-19 atingiu um nível recorde na China continental, com um pico em
02 de dezembro de 2022 e nas últimas três semanas, a incidência
diminuiu, provavelmente também devido a um mais pequeno número de testes
realizados, resultando em menos infeções sendo detetadas, segundo o
ECDC.Após restrições rigorosas de viagem
no auge da pandemia, a UE regressou este outono a um sistema
pré-pandemia de viagens livres, mas os 27 concordaram que um “travão de
emergência” pode, se necessário, ser ativado num curto período de tempo
para enfrentar um desafio inesperado.