Bruxelas está “profundamente preocupada” e apoia debate pedido por Macron
23 de ago. de 2019, 17:13
— Lusa/AO Online
“A Comissão está profundamente preocupada. A
Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e contém um décimo das
espécies mundiais. É por isso que saudamos as intenções do Presidente
[francês] Macron em discutir esta questão na cimeira do G7, dada a
necessidade de atuar rapidamente”, afirmou a porta-voz do executivo
comunitário Mina Andreeva.Falando na
conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas, a
responsável notou que a União Europeia (UE) está já “em contacto com as
autoridades brasileiras e bolivianas” sobre esta questão.“E
estamos prontos para ajudar como pudermos, desde logo fornecendo
assistência ou ativando o nosso sistema de satélites Copernicus”,
apontou Mina Andreeva.O Presidente
francês, Emmanuel Macron, apelou na quinta-feira a que os incêndios na
Amazónia sejam discutidos na cimeira do G7, que se realiza este fim de
semana em Biarritz, sudoeste de França, afirmando que se trata de uma
"crise internacional”.Na cimeira do G7,
dos países mais industrializados do mundo, participam os líderes da
Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e
Reino Unido.Em representação da UE estará,
no encontro, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que
substituirá na ocasião o líder do executivo comunitário, Jean-Claude
Juncker, que foi operado de urgência.Ainda
na quinta-feira, e horas após a declaração de Macron, o Presidente
brasileiro, Jair Bolsonaro, rebateu o apelo do seu homólogo francês,
acusando-o de "mentalidade colonialista" e de querer alcançar "ganhos
políticos pessoais". Também nesse dia, o
secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se
"profundamente preocupado" com os incêndios numa das “mais importantes
fontes de oxigénio e biodiversidade”, referindo que a Amazónia “deve ser
protegida”.Questionada na conferência de
imprensa de hoje se a UE tenciona pressionar o Presidente brasileiro a
aplicar medidas para evitar a desflorestação, a porta-voz da Comissão
Europeia referiu que o acordo de livre comércio celebrado há dois meses
com a organização do Mercado Comum do Sul (Mercosul) é “o melhor
instrumento” para o conseguir, desde logo porque tem em conta os
objetivos do Acordo de Paris.“Achamos que é
importante criar compromissos legais nos nossos acordos porque essa é a
forma legítima de fazer com que as partes os respeitem”, adiantou Mina
Andreeva.