Bruxelas espera política orçamental prudente em Portugal apesar de défice em 2026
UE/Previsões
19 de mai. de 2025, 11:35
— Lusa/AO Online
“Embora
esperemos que Portugal continue a ter uma política orçamental prudente,
após vários anos de excedente, […] e perante um crescimento económico
mais lento do que o esperado, estimamos um pequeno défice no próximo
ano, obviamente num cenário de políticas inalteradas”, disse o
comissário europeu da Economia, Valdis Dombrovskis, falando em
conferência de imprensa em Bruxelas.“Podemos
dizer que Portugal tem seguido uma política orçamental prudente ao
longo do ano passado e esperamos que o rácio da dívida em relação ao PIB
continue a diminuir substancialmente ao longo do horizonte de previsão
deste ano e do próximo”, adiantou o responsável.A
Comissão Europeia estimou que Portugal irá conseguir um excedente
orçamental de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, que se
transformará num défice de 0,6% em 2026, segundo as previsões económicas
de primavera divulgadas hoje.Estas
projeções representam uma revisão em baixa face às previsões de
novembro, quando Bruxelas perspetivava um excedente de 0,4% este ano, e
são também mais pessimistas do que as estimativas inscritas no Orçamento
do Estado para 2025 (OE2025).Ao mesmo
tempo, o executivo comunitário reviu em baixa as previsões para o
crescimento da economia portuguesa este ano, para 1,8%, mas está agora
confiante de que o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer 2,2% em 2026.No
OE2025, o executivo de Luís Montenegro apontava para um excedente de
0,3% do PIB e a AD inscreveu no programa eleitoral um saldo de 0,1% do
PIB para 2026.Questionado sobre as
diferenças nas projeções de crescimento, Valdis Dombrovskis apontou que
“reside basicamente no facto de as previsões da Comissão já terem em
conta a estimativa provisória do PIB para o primeiro trimestre deste
ano, que foi, de certa forma, mais negativa”.Segundo
a estimativa rápida divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística
(INE), a economia portuguesa cresceu 1,6% em termos homólogos nos
primeiros três meses do ano e contraiu-se 0,5% face ao trimestre
anterior.