Bruxelas em alerta para risco de tráfico crianças ucranianas
Ucrânia
10 de mar. de 2022, 16:52
— Lusa/AO Online
“Todos
sabemos, por experiência, que quando há uma guerra e há pessoas em
fuga, crianças em fuga, há sempre criminosos que tiram partido da
situação. Sabemos que as crianças estão em risco de serem traficadas e é
por isso que é tão importante o registo”, declara a comissária europeia
dos Assuntos Internos, Ylva Johansson, em entrevista à Lusa e outras
agências de notícias europeias em Bruxelas sobre a situação ucraniana.De acordo com Ylva Johansson, “é por isso que é tão importante que os guardas de fronteira e outros estejam atentos aos sinais”.“Sabemos
que temos órfãos na Ucrânia e alguns deles podem já estar aqui como
menores desacompanhados. Poderemos também ter crianças que perderam o
contacto com os pais durante a viagem e, depois, as crianças são também,
naturalmente, muito vulneráveis de se tornarem vítimas de tráfico, pelo
que esta é realmente uma área relativamente à qual estamos agora a
ativar a rede” de cooperação, acrescenta a responsável.A
comissária europeia da tutela avança que a União Europeia (UE) tem, por
isso, já uma rede antitráfico em alerta sobre esta situação nos
Estados-membros, que está a trabalhar com a Agência da UE para a
Cooperação Policial, a Europol.“Estamos
a cooperar para nos mantermos vigilantes e para nos assegurarmos de que
fazemos tudo o que podemos para proteger as crianças”, vinca Ylva
Johansson.Questionada
nesta entrevista às agências europeias, incluindo a Lusa, se já existe
registo de vítimas, a comissária europeia indica que não.“Não
temos conhecimento, [mas] não quero esperar até termos relatos de
crianças desaparecidas ou vítimas, penso que agora é o momento em que
precisamos de estar alerta sobre isto”, insiste Ylva Johansson.“Penso
que isso ainda não aconteceu, mas poderia acontecer, por exemplo, em
orfanatos na Ucrânia e é por isso que talvez precisemos que os
Estados-membros possam ajudar na retirada de todos os órfãos”,
exemplifica.Ao
mesmo tempo, “temos algumas crianças que chegam com necessidades
especiais ou deficiências”, assinala, insistindo no “registo adequado”.“Sabemos
por experiência que, quando há fluxos migratórios massivos, também há
crianças que desaparecem e iria surpreender-me se não tivermos também
esse problema desta vez. É por isso que é importante não esperar até
termos crianças desaparecidas para nos mantermos vigilantes, para termos
isto realmente no topo do radar, para dizermos como podemos proteger e
registar as crianças e para nos certificarmos de que forma as crianças
chegam […] para que não caiam vítimas de grupos criminosos”, adianta
Ylva Johansson.