Bruxelas diz que vai “lutar até ao fim” para impedir tarifas adicionais dos EUA
14 de out. de 2019, 13:29
— Lusa/AO Online
Falando em conferência de imprensa para
apresentação de um relatório sobre o setor, em Bruxelas, Cecilia
Malmström indicou que escreveu “recentemente uma carta a Robert
Lighthizer, representante dos Estados Unidos para a área comercial e
negociador chefe para esta área, para lhe dizer novamente que, apesar de
eles [Estados Unidos] poderem impor sanções alfandegárias, isso não
significa que eles o devam fazer”.Notando
que “está esperado que estas sanções aduaneiras entrem em vigor na
sexta-feira”, Cecilia Malmström assinalou que “ainda existem mais quatro
dias pela frente”, pelo que Bruxelas tentará inverter tal cenário “até
ao fim”.A Organização Mundial de Comércio
(OMC) autorizou hoje definitivamente Washington a impor sanções contra a
UE, em resposta aos subsídios concedidos à fabricante Airbus pelos
governos europeus, prevendo-se taxas aduaneiras de 10% na aeronáutica e
de 25% na agricultura.O objetivo da UE é,
então, encontrar uma solução negociada com os Estados Unidos para evitar
uma nova escalada das tensões comerciais atuais. Em
causa está a disputa de quase 15 anos entre a UE e os Estados Unidos
relativa aos apoios públicos às respetivas fabricantes aeronáuticas,
Airbus (francesa) e Boeing (norte-americana), com a OMC a adotar
decisões que, umas vezes, são favoráveis à União, outras à administração
norte-americana.No início deste mês, a
OMC decidiu a favor dos Estados Unidos e autorizou o país a aplicar
tarifas adicionais de 7,5 mil milhões de dólares (quase sete mil milhões
de euros) a produtos europeus, em retaliação pelas ajudas da UE à
fabricante francesa de aeronaves, a Airbus.Nesse
dia, logo após a divulgação da decisão da OMC – a sanção mais pesada
alguma vez imposta por aquela organização –, os Estados Unidos
anunciaram tarifas punitivas a produtos da UE para entrarem em vigor a
partir de 18 de outubro, próxima sexta-feira.Se
as negociações agora em curso falharem, a UE deverá responder aos
Estados Unidos na mesma moeda no início do próximo ano, isto é,
aplicando também sanções aduaneiras sobre produtos norte-americanos,
caso consiga convencer nessa altura os juízes da OMC que a Boeing também
recebe subsídios ilegais do governo norte-americano. A
totalidade dos 28 países da UE será afetada pela medida da
administração do Presidente Donald Trump, incluindo, naturalmente,
Portugal, que vê a área dos laticínios particularmente visada na lista
do Departamento de Comércio norte-americano.Na
lista de países afetados pelas taxas que inclui Portugal, são visados
produtos como leite, queijos, iogurtes e manteigas (tal como vários
derivados e preparados com estes laticínios) serão sujeitos a taxas
adicionais de 25%.Também a carne de porco
(incluindo derivados e produtos preservados, como presunto), ameijoas
(em recipientes herméticos e conservadas), berbigões e moluscos vários
serão alvo de tarifas adicionais de 25%.Finalmente,
na área das frutas, Portugal pertence ao grupo de países que verá
vários produtos com taxas aumentadas em 25%, como citrinos (laranjas,
limões, tangerinas, clementinas, frescas ou desidratadas), cerejas
(secas), peras (secas ou desidratadas).