Bruxelas diz estar “nas mãos dos países” aprovar medidas contra Israel
Médio Oriente
Hoje 15:23
— Lusa/AO Online
“Há
10 meses, propusemos suspender as preferências comerciais ao abrigo do
Acordo de Associação UE-Israel. Isto foi há 10 meses e teria um impacto
económico significativo, mas esta proposta continua na mesa dos
Estados-membros para votação por maioria qualificada. Portanto, a
decisão está nas mãos dos Estados-membros”, disse Ursula von der Leyen,
em conferência de imprensa na cidade irlandesa de Cork.“Foi
há 10 meses que fizemos esta proposta e, no mês passado, chegámos a
acordo sobre sanções contra colonos israelitas extremistas. Muitos
Estados-membros também propuseram sancionar o ministro [da Segurança
Nacional israelita] Ben Gvir, mas até agora não foi alcançado consenso”,
acrescentou.No dia em que o colégio de
comissários da Comissão Europeia participa no evento de inauguração da
presidência semestral rotativa do Conselho da UE, ocupada pela Irlanda,
Ursula von der Leyen observou: “A situação está claramente a
deteriorar-se”.“Já chegámos a acordo sobre
sanções contra colonos israelitas extremistas e figuras do [grupo
islamita] Hamas e a Comissão irá em breve apresentar um documento com
opções”, referiu a líder do executivo comunitário.Porém,
persiste “o problema do acesso [da ajuda humanitária] como primeiro
ponto na Cisjordânia e também a questão dos colonos”, indicou.“A
contínua expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia é totalmente
inaceitável e a violência utilizada para alcançar essa expansão é
abominável e prejudica o futuro da solução de dois Estados, que, na
nossa opinião, é a única solução viável ou o único caminho para uma paz
duradoura”, referiu Ursula von der Leyen.Vincando
que a UE é o maior fornecedor mundial de ajuda ao povo palestiniano, a
responsável concluiu: “Há muita atividade em curso, mas no Conselho não
há avanço para uma solução ou acordo sobre como proceder”.A
Irlanda, que ocupa este semestre a presidência rotativa da UE, defendeu
que o bloco comunitário deve “agir agora” para “mudar o comportamento”
israelita na Faixa de Gaza e no Líbano, pedindo respostas mais fortes a
Bruxelas.“Se todos nós na UE acreditamos
que a única forma de alcançar a paz na região, permitindo que
palestinianos e israelitas vivam lado a lado, é através de uma solução
de dois Estados, e se acreditamos genuinamente nisso - e eu acredito que
a UE acredita - então a única forma de manter essa visão e essa ambição
é agir agora”, disse a ministra dos Negócios Estrangeiros, Helen
McEntee, em Dublin na quarta-feira, falando a um grupo de jornalistas
europeus, incluindo a Lusa.Bruxelas
prepara medidas políticas e económicas em resposta à situação na Faixa
de Gaza e ao avanço dos colonatos israelitas na Cisjordânia.Está
previsto que o executivo comunitário apresente estas propostas antes da
reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE de 13 de julho de
2026, num momento em que vários Estados-membros pressionam por uma
resposta mais firme.Entre as opções em
discussão encontram-se a limitação ou proibição do comércio com
colonatos nos territórios ocupados, possíveis ajustes ao Acordo de
Associação UE-Israel, sanções direcionadas contra colonos violentos e
eventuais medidas restritivas contra figuras políticas consideradas
responsáveis pela escalada do conflito.Estas
iniciativas enfrentam divisões internas na UE, o que torna uma
aprovação incerta e politicamente sensível, especialmente no que toca a
medidas que exigem unanimidade entre os Estados-membros.Pela oitava vez, a Irlanda ocupa, entre julho e dezembro, a presidência rotativa da UE.